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A Comunidade

 

 

Na década de 70, Erik (Ulrich Thomsen) e Anna (Trine Dyrholm) são um casal cheio de planos que resolvem, juntamente com a filha, criar uma comuna em um bairro nobre de Copenhague para dividir com outras pessoas. O sonho hippie de confraternização, festas e jantares hospitaleiros logo cairá por terra quando um caso de amor abalar a pequena comunidade fazendo com que esse grupo de idealistas acordem para a realidade.

O primeiro arco do filme alimenta a ideia de um paraíso idílico onde os indivíduos convivem de forma solidária e harmoniosa e os afazeres são desempenhados por todos em um movimento cíclico para a preservação do ambiente, porém ideais inovadores exigem um custo e seu preço é cobrado à medida que a convivência se prolonga. Lapidar as emoções humanas a partir da incitação do estresse é uma das características principais de Thomas Vinterberg, o diretor parece não acreditar que o homem possa controlar sua natureza animal seus impulsos e instintos, seus personagens quando atordoados por uma situação de esgotamento sucumbem.

Vinterberg propõe um estudo de como as situações e suas respectivas escolhas e consequências influenciam na mudança comportamental dos indivíduos. Para tal feito, ele faz experiências com o núcleo central da trama - Erik, Anna e a filha - a família utopista, deixando deliberadamente de desenvolver personagens coadjuvantes para focar na mudança dos três elementos principais. De todas as cobaias de Vinterberg é com a soberba Trine Dyrholm que seu experimento chega as últimas consequências colocando as cartas de todo seu pessimismo na mesa.

Com um potencial de conduzir narrativas sem delimitações de valores morais ou éticos, os filmes desse perito dinamarquês abordam as relações humanas de forma crítica e poderosa, sempre com a mão áspera e um leque de possibilidades na argumentação que conduzem o espectador a um resultado interpretativo mutável.

Analisando o ensaio Do Contrato Social de Rousseau, para o estabelecimento do contrato social, é condição indivisível para a legitimação do pacto que os homens, ao perderem sua liberdade natural, ganhem, em troca, a liberdade civil mantendo uma igualdade entre as partes contratantes. Na destreza da metáfora de Vinterberg as liberdades individuais sabotam a comunidade corrompendo o equilíbrio de forças e imposições sociais ratificando o homem como o mais complexo dos animais políticos.

por Elmar Ernani