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A Grande Aposta

 

 

Há oito anos, as principais economias tremiam diante da pior adversidade desde a Grande Depressão de 1929. George W. Bush, fiel seguidor da corrente não-intervencionista por parte do Governo na economia, torrou mais de US$ 700 bilhões para socorrer bancos à beira da falência por conta de investimentos em títulos imobiliários podres, vulgo subprime.

 

O termo subprime, diferentemente do que constuma-se imaginar, não se refere à taxa de juros dos empréstimos, conhecida como prime rate, e sim à classificação de crédito do devedor. As hipotecas subprime permitiam que pessoas com um histórico de crédito desfavorável obtivessem acesso a empréstimos que antes não poderiam obter por meio do crédito habitacional convencional. No dia 15 de setembro de 2008 o banco Lehman Brothers, o quarto maior dos Estados Unidos, sucumbiu sem ajuda do governo, dando início ao colapso mundial. Da segunda-feira negra até a quinta-feira da mesma semana, as bolsas mundiais acumulavam uma perda de US$ 4 trilhões, e o tesouro americano se viu obrigado a abrir as torneiras para evitar o fim do mundo.

Por meio de histórias paralelas, esse é o cenário da qual o filme explora, onde cada personagem busca sua fatia da desgraça alheia apostando contra o sistema imobiliário americano. Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa que decide investir na quebra do sistema. O corretor Jared Vennett (Ryan Gosling) percebe a oportunidade e passa a oferecê-la aos seus clientes: um deles é Mark Baum (Steve Carell). Ben Ricket (Brad Pitt) é um guru de Wall Street que resolve ajudar dois iniciantes a lucrarem alto.

 

Com um roteiro farto de diálogos rápidos e inteligentes e tons irônicos, Adam McKay (que também roteiriza) acerta em cheio ao preferir por uma filmagem frenética, com câmeras rápidas, cortes em sequências e uma montagem dinâmica mantendo a linearidade entre roteiro e direção.

O elenco formidável segura o ritmo desvairado da história permitindo que o deboche e o didatismo dê credibilidade a uma sequências de eventos irracionais em escala nacional. Na alucinação do imponderável o filme diverte e na instrução pedagógica faz-se compreender em um assunto, por vezes, inacessível rodeado por tomadores de decisões desequilibrados.

A partir do momento em que tudo é permitido, está prestes a se instaurar o espírito da cultura do absurdo, e o absurdo repetido inúmeras vezes tende-se a aparentar normalidade. Ao final do pandemônio percebe-se que o Tio Sam não fica muito a frente do País do futebol, a pizza é servida farta e quente enquanto a multidão contabiliza os mortos.