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A Juventude

Como definir uma obra-prima? O sentido de discussâo da arte por si só é um caminho complexo e filosófico, estudos apontam que nossa maneira como vemos a arte nâo é racional, o que reforça a ideia de que a qualidade de uma obra de arte depende do contexto e está nos olhos de quem vê. No final das contas o que vale é nossa subjetividade, o sentido que damos para as coisas, e, certas vezes, no terreno da imaterialidade algo se torna candidato à apreciação, A Juventude de Sorrentino é um desses casos.

Paolo Sorrentino acredita na relação íntima entre a vida e a arte, seus filmes definem sua visão através de poesias. O fluxo de seu cinema, cada vez mais, se despede da ordinariedade de seu tempo aproximando-se da perfeição, seus poemas estimulam a mente e os sentidos ocupando um lugar metafísico na sétima arte, ratificando a ideia da arte para o caminho da transcendência.

Exímio escritor e diretor, Sorrentino desenvolve as frustrações particulares de seus personagens para divagar sobre assuntos que ele considera superlativos, como a vida, o amor, a filosofia, religião, política, literatura e a arte. Fred (Michael Caine) e Mick (Harvey Keitel) são dois velhos amigos que estão hospedados em um luxuoso hotels nos Alpes Suíços. Fred é um compositor e maestro aposentado e Mick é um cineasta em atividade. Juntos, os dois em conflitos existenciais, relfetem sobre a vida ao mesmo tempo em que admiram a beleza e buscam a juventude.

Nesse balé clássico da vida real, Sorrentino escolhe seus artistas de forma inapelável: Michael Caine, Harvey Keitel, Jane Fonda, Paul Dano e Rachel Weisz são as ferramentas precisas que recitam as palavras e as emoções de um realizador que possui o talento nato de impressionar, fascina o espectador com um estilo raro, uma mise en scène dotada de um brilhantismo singular, com enquadramentos incomuns, movimentos de câmera heterogêneos, linguagem e narrativas reflexivas que se adequam perfeitamente à união da música lírica com um desfile de imagens exuberantes.

Com um tipo de elegância suprema derivado da mesma fonte que Federico Fellini bebeu, a magia do cinema de Sorrentino não permite a indiferença, para suas óperas cinematográficas restam-se os aplausos, de preferência em pé.

 A arte é a alma manifesta da cultura, sem a arte a cultura torna-se muda, opaca. Sua força supera seu conceito, e, seu legado são as tentativas do homem em busca por algo maior do que as formas mutáveis da existência, a resistência pela conservação de seu tempo, a busca eterna por relevância e longevidade, porque na vida somos todos figurantes.