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A Luz Entre Oceanos

O norte-americano Derek Cianfrance possui uma sensível queda para as histórias de amores críticos e turbulentos daqueles que a casualidade do destino faz questão de piorar. Em toda sua filmografia recente - o espetacular Namorados Para Sempre (2010) e no intrigante O Lugar Onde Tudo Termina (2012) - a fatalidade sorri para seus personagens, suas escolhas, seja por impulso ou refletida, acarretam consequências terríveis por onde passam.

Dessa vez o sentimentalismo pede passagem diante do infortúnio sem precedentes. Não basta se fragmentar em lágrimas é necessário que a intempérie provoque revés em todas as existências de um determinado nicho. Tudo se passa após a Primeira Guerra Mundial, quando Tom Sherbourne (Michael Fassbender), um veterano de guerra, arranja emprego como faroleiro numa ilha, a porta de entrada para uma pacata comunidade australiana. Para viver os dias de calmaria e isolamento na ilha dividida entre dois oceanos ele leva consigo sua recém esposa Isabel (Alicia Vikander), porém a chegada de um barco com um homem e um bebê trará graves consequências para o casal.

Dotado de uma beleza estética admirável e favorecido por um trio de atores que beiram o absurdo, Cianfrance testa os limites de nossas ações apostando na velha máxima do preço que é cobrado por cada ato empreendido. Prescrita por uma vontade determinante superior a toda vontade humana, a fatalidade desenvolve-se de maneira inevitável e irresistível desarmando a solidez moral de outrora com vistas ao desfecho catastrófico.

Cianfrance catalisa o padecimento do passado que se encontra irremediavelmente selado e intocável restando apenas a confissão, em terminal esgotamento, de um passado que não passa e que também não volta, onde o acontecido continua a assaltar persistentemente o presente em memórias exacerbadas e inflexíveis. No passado encontra-se todas as razões do presente.

por Elmar Ernani