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A Noiva

 

 

"Seu filho foi um pouco de água, o outro foi um rio escuro que me arrastou como um golpe de mar".

Adaptação da obra do grande Federico Garcia Lorca, um dos poetas espanhóis mais importantes de todos os tempos que influenciou diretamente na obra e visão dos autores de língua espanhola, como Pablo Neruda. Apreciador da vida e da liberdade, Garcia Lorca era um espírito livre e inquieto que sucumbiu ante uma Espanha derrotada por Franco.

Paula Ortiz, diretora espanhola em franca ascensão, orquestra seu olhar intenso à aclamada peça, Bodas de Sangue, de Garcia Lorca. Indicado a 12 prêmios Goya, conta a história de um triângulo amoroso entre dois homens e uma mulher. Dividida entre a paixão que desafia todas as regras morais e sociais e o dever, aquele que representa a tradição, os bons costumes e o lar como a base da sociedade, suas ações terão consequências devastadoras.

Nessa releitura moderna sobre o significado trágico da natureza humana, Paula Ortiz prima pelo efeito hipnótico de uma obra visualmente magnífica organizando sua estrutura à margem do deserto do mediterrâneo, um lugar que transmite sensações e sentimentos de impotência. Entre as paixões escondidas e sonhos destruídos, Inma Cuesta (A Noiva) - no maior papel de sua carreira - percorre uma encruzilhada vital em busca do amor ao mesmo tempo em que se desfaz de sua dignidade. O destino dos desafortunados nunca foi tão desesperançoso.

O ser humano devido à sua capacidade linguística e seu poder racional sempre outorgou para si uma distinção e superioridade face aos restantes dos seres vivos. A racionalidade seria o uso apropriado da razão para calcular o melhor modo de atuação, porém um simples olhar sobre a trajetória humana e a razão torna-se um atributo raro, pouco utilizado ao longo do tempo. O impacto das emoções e sua consequente ausência de lógica é o foco dessa fatal história de amor, contada de maneira plástica e que possui na tragédia seu elemento inevitável, raras vezes o poder da imagem foi tão preciso em escancarar os sentimentos indomáveis, a pele e a alma, o desejo, o fardo e o sacrifício.

Na irracionalidade da paixão visceral a pressão tende a se tornar insuportável. Se o amor é fogo que arde sem se ver, como diria Camões, a paixão, por sua vez, é um grito cheio de força e dor que se escuta ao longe, que penetra frio na carne espantada te levando para um lugar emaranhado e obscuro.