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A War

 

 

Terceito longa do Dinamarquês Tobias Lindholm, e a terceira parceria com o ator Pilou Asbaek - o seu fiel escudeiro. Trilhando o caminho desbravado pela tríade sagrada de mestres do cinema nórdico - Lars von Trier, Tomas Vinterberg e Susanne Bier - , Tobias Lindholm é mais um apreciador do cinema realista, o fatalismo da nossa existência seduz suas visões cinematográficas.

 

O homem é mais um ser no mundo cuja existência só se realiza na convivência com seus semelhantes e quaisquer decisões e ações afetam, direta ou indiretamente, outras pessoas. Falar sobre a realidade dos homens é retratar suas decisões e consequências, Lindholm domina esse entendimento e realiza seu filme mais extremo na busca de um sentido nessa intrínseca relação.

 

Na trama, Pilou Asbaek é o comandante Claus Michael Pedersen. Em uma missão de rotina no Afeganistão, ele e seus homens são encurralados pelo Talibã. No fogo cruzado Claus tomará uma decisão que fará com que retorne à Dinamarca acusado de crime de guerra.

 

Lindholm se abstém de cair nas armadilhas de um típico filme de guerra ao focar-se na condição humana e nos valores morais e éticos de uma escolha fatal. O diretor distancia-se da narrativa sem influenciá-la, deixando que a história transcorra de forma natural, sem a necessidade de manufaturar heróis ou vilões. A ação é apenas um coadjuvante para um plano mais complexo, onde as perguntas e respostas nem sempre possuem uma relação conexa, criando uma ambiguidade moral difícil de diferenciar o certo do errado.

 

A guerra é um fenômeno de uma das experiências mais drásticas do ser humano, algo que remonta ao princípio da própria humanidade, um evento universal praticado em todos os tempos e em todos os lugares. Lindholm evita futuras comparações retirando-se do olhar comum para analisar a validade de um fenômeno através da argumentação jurisdicional, no entanto a certeza que chegara é de que os princípios, no fim das contas, são sempre parciais.