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Aloft

 

 

Terceiro grande filme da Claudia Llosa (venceu o Urso de Ouro de Berlim por Teta Assustada em 2009), diretora e roteirista chilena que possui um cinema peculiar, ao mesmo tempo que causa um sensação de estranheza, nos envolve e intriga.

 

Na história, o significado da vida de uma mãe e seu filho são colocados em descrença quando finalmente os dois se encontram - vinte anos após ela o ter abandonado, para um ajuste de contas.

 

Jennifer Connelly e Cillian Murphy, Nina e Ivan respectivamente, atuam com alma e intensidade. Suas impressionantes atuações fazem com que o longa seja, acima de tudo, sobre os dois personagens e as variações que o tempo provocou na vida de cada um.

 

Aloft é a representação do Falcão para o cinema de Llosa. Ao ambicionar vôos maiores para sua arte, a cineasta arrebanha estrelas internacionais, deixa o pequeno Peru e nos brinda com uma viagem onírica e mística.

 

Llosa manipula cenários paisagísticos e remotos intercalando acontecimentos temporais na vida dos personagens para remeter a todo momento sobre o Tempo. Na compreensão do ser humano é indissociável da compreensão do tempo, pois tudo que é o ser reside no passado. O presente é o que o passado antecedeu.

 

Sartre afirmava que é preciso que haja passado para que então surja a permanência, mas a permanência, ao contrário do que muitos imaginam, não é o presente, já que ele não dura - o presente é apenas um composto de sucessivos e infinitos instantes que se torna passado tudo que dele se passa, a permanência é o próprio passado, já que o passado é o que permanece no ser sem haver a possibilidade de alteração.

 

Mãe e filho foram moldados pelo passado, e de fato não se pode modificar o que foi, mas é possível (em alguns casos) alterar a sua significância, de substituí-las como algo que revela uma postura diferenciada em relacão ao passado. Um crente convertido em ateu, não é simplesmente um ateu, é um ateu que negou a crença cega para si, um ateu que rejeitou para si o projeto de ser crente.

 

Na purgação final mãe e filho ecoarão suas essências remendadas em busca de um sentido para continuar, posto que o ser só encontra sua significação no tempo.