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Capitão Fantástico

Inspirado pelo jazz e impulsionado por um modelo de vida impositivo e mentalmente castrador do pós-guerra americano, um grupo de intelectuais criaram o movimento beat. Sua contracultura iria de encontro ao maquinário tedioso american way of life, composto, em sua maioria, por mocismos e hipocrisia.

Para Sartre, esta seria a Geração Perdida que buscava demonstrar toda a desilusão e desprezo que tinha por aquela sociedade consumista e avarenta. Capitão Fantástico, segundo filme de Matt Ross, expõe à luz da geração beat suas incertezas e temores quanto ao posicionamento da sociedade atual. Rígidos controles criativos aliado à preguiça e negligência pela busca de conhecimento aumentam, de forma exponencial, a quantidade de jovens estúpidos e ineptos.

Ben Cash - magistralmente interpretado por Viggo Mortensen - decidiu se isolar da sociedade para que seus seis filhos crescessem livres, muito bem educados e sem o contato com os costumes maléficos da coletividade. Quando sua esposa adoece, ele acaba retornando a civilização e passa a ser confrontado por aqueles que consideram seu estilo de vida nocivo às crianças.

Com forte influência do cinema de Wes Anderson e Jim Jarmusch e de obras filosófico-socialistas, Matt Ross instiga sentimentos filantrópicos em favor da autossuficiência e da liberdade em prejuízo à alienação mental. Logo será percebido que sua própria rotina espartana ecológica e auto-sustentável não traz apenas benefícios, sua malhada sofre defasagem no convívio social - perde-se o trato com seus semelhantes, algo que um ser gregário só se torna apto na coabitação - além de se comportarem como homens da caverna quando em contato com a vida moderna.

Matt Ross não pretende promover Ben ao posto de paladino solitário em oposição a um sistema falho, pelo contrário, nem seu protagonista detém a verdade e a certeza como seu amuleto. Sua intenção é falar sobre paternidade, valores e a responsabilidade de ser um curador da vida de uma pessoa. É sobre mudar de opinião e ter seus próprios ponto de vista em tempos de ignorância suprema.

Porque os únicos que me interessam são os loucos, os loucos por viver, loucos por falar, loucos por serem salvos, que desejam tudo ao mesmo tempo e nunca bocejam ou dizem clichês, mas queimam, queimam como fogos de artifício pela noite, gritou certa vez, o king of the beats, Jack Kerouac.

por Elmar Ernani