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Carol

Filmes sempre nos dizem algo, mesmo os que não tem nada a dizer. Carol é sobre conexões e renúncia. Não há escolha sem renúncia, já que as duas são vias de mãos contrárias, porém não é possível renunciar à escolha, pois o ser humano está condenado a ser livre, já advertia Sartre, mesmo os que escolhem não agir ainda assim é uma escolha. As conexôes fazem parte da nossa necessidade de repetição, Freud investigou que o ser humano tem uma demanda por amor que vem desde o início da vida, com a referência materna, na busca por felicidade, e essa ânsia por emular a proteção do ventre maternal é acompanhada de um projeção narcisista primária na procura de um amor idealizado conforme as suas características pessoais.

Nos anos 50, Carol (Cate Blanchett) - interminavelmente estonteante - está presa à um casamento falido, sobrevivendo de aparências e escondendo sua verdadeira identidade. O encontro fortuito com a jovem Therese (Rooney Mara) despertará um interesse imediato em ambas, culminando em um intenso e proibido romance.

Todd Haynes, dono de um cinema autoral, dirige com a minúcia usual de aperfeiçoamento dos pequenos detalhes. Todas suas obras são extremamente bem encorpadas tecnicamente falando, e, dentro do seu universo, os aspectos técnicos como cenografia, figurino, fotografia e direção de arte são fundamentais para compreensão de suas histórias e seus personagens. Obviamente, tamanha disposição para detalhar cada cena engrandece visualmente suas narrativas, porém seu verdadeiro objetivo é mais pessoal que estético.

Cineasta de aparência clássica, Todd Haynes busca o equilíbrio entre olhares contidos e a sutileza voraz, no filme mais requintado do ano.

Com enorme elegância, Haynes encontra no refinamento do universo feminino a oportunidade ideal para falar sobre a melancolia do amor.