Casa Grande

 

 

Felipe Barbosa é um nome relativamente conhecido no cenário nacional tanto na edição quanto na criação de histórias. Dessa vez ele dá um passo adiante e empreende seu inédito filme.

 

Felipe versa sobre a burguesia decadente. A classe média que fracassou diante das singularidades do cotidiano. Um casal, beirando a falência, tenta manter a todo custo o padrão de vida que gozava, quando enfim seus esforços naufragam é chegada a hora do filho, Jean, enfrentar pela primeira vez a realidade.

 

O filme provoca uma reflexão atual sobre o poder do desapego, expondo a classe abastada à aquilo que mais teme: assistir a derrocada de sua importância no meio em que convive. O roteiro é conciso e preciso, ratificando a habilidade para argumentar que o autor possui. Com a câmera na mão, Felipe mostra sobriedade e segurança, usando belos planos como simbolismos para o entendimento do filme e destemor para não fugir dos temas desconfortáveis e necessários.

 

Marcello Novaes sai da sua zona de conforto e mostra que sabe atuar, e muito. Ele compõe um organismo homogêneo e afiado que, na mão de Barbosa, inflama o discurso existencial com questões sociais e de gêneros de classes. Todo pudim um dia acaba.