Colunas: Epifanias

O ciclo vicioso

 

 

Dizem que a cada avanço da ciência, Deus aprende um novo milagre, e ele tem aprendido muito. Com a inquietude humana e o investimento em centros e profissionais de valor, enormes conquistas são realizadas ano após ano.

Avançamos nosso pequeno conhecimento em terras inexploradas adentro um Universo misterioso e em expansão com descobertas significativas. Seja no campo da Astronomia com a descoberta da água na Lua ou o exoplaneta Kepler 22-b, seja no campo biológico com o conhecimento da parte oculta do genoma humano e o melhor manejamento das células-tronco, bem como novas técnicas revolucionárias que permitem avaliar um DNA pré-histórico com precisão.

Nos caminhos científicos com a equação de Boltzmann utilizada no estudo de vários sistemas físicos, nos sistemas dinâmicos aplicados à geometria ou nos caóticos, explicando a probabilidade de um evento X acontecer. Quer na robótica com o braço científico comandado pela força do pensamento, na química com o avanço de novas substâncias capazes de prevenir a morte do tecido cerebral ou na física com a poderosa "partícula de deus" desvendando o mistério da massa, nossos pequenos passos nos afastam, como espécie, das outras que dividem o mesmo espaço.

 

Contudo, apesar dos grandes avanços e descobertas realizadas por seres notáveis, ironicamente percebe-se que as pessoas estão mais estúpidas do que nunca. Uma epidemia negra e incontrolável se alastra pelas nossas ruas, cidades e países aumentando exponencialmente a quantidade de seres constituídos em sua essência de uma imbecilidade colossal. Os estúpidos aparentam ser invencíveis e se reproduzem mais velozes que coelhos e, como se notícia ruim não pudesse piorar, a cada geração seus cromossomos que contém os genes malditos são transmitidos em abundância deixando pouco espaço para a esperança triunfar.

 

Diversas pesquisas já indicam que as crianças seguem a mesma linha degenerativa. Ensino castrador que aos poucos esmagam sua criatividade aliada à herança genética estão produzindo crianças menos capazes de produzir ideias originais e fora da curva. Elas também ficaram menos humorísticas, menos imaginativas e com extremas dificuldades na elaboração de um raciocínio básico. Isso quer dizer que há uma porção de crianças por ai que não chegarão a lugar algum. A consequência de um início equivocado e defasado é o presente hediondo. 

 

Com todo esse cenário aterrador qualquer fagulha iniciaria o caos, e as redes sociais foram a centelha que facilitaram a maximização dessa situação assombrosa. Elas explodiram a bomba que crescia nas trevas por debaixo da terra e escancarou-as em nossas faces. Um tsunami de pseudointelectuais, psicologismos de araque, frases prontas, especialistas universais, coaches holísticos, vendedores de batatas, argumentações por xingamentos sobre todo e qualquer assunto e cultos que forjam a felicidade eterna se propagou por todos os quatro cantos do mundo, tomando de assalto o dia a dia do sujeito que teima em viver. Ninguém mais está a salvo.

 

De todos os tipos de criaturas que emergiram da escuridão, os fãs devotos conquistaram um lugar especial nesse circuito do horror. Qualquer humano que consiga uma mínima visibilidade seja em qual for a rede social automaticamente aufere uma legião de fãs. Existem indivíduos obtusos que necessitam idolatrar alguém, não procure em Freud uma explicação palatável sobre esse distúrbio, ele sequer imaginou que o abismo seria tão fundo. Essa horda de zumbis não só veneram; eles defendem, protegem e mimam seus ídolos, um fetiche doentio. Uma bela visita ao inferno.

 

Darwin, questiono-lhe: o que aconteceu com seleção natural e a sobrevivência do mais apto?