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De Cabeça Erguida

 

 

Dirigido pela atriz e cineasta Emmanuelle Bercot, De Cabeça Erguida é um drama comovente do percurso de um jovem marginal (Rod Paradot) entre os seis e os dezoito anos, dos centros educativos aos tribunais de menores.

 

O filme é extremamente eficaz ao escancarar a violência surda instalada nos centros de reabilitação, sua rotina sufocante e o árduo trabalho das pessoas que se dedicam em equilibrar esses jovens delinquentes, socando ponta de faca dia após dia.

 

Sombrio e realista, é, de fato, um filme que incomoda, algo que Xavier Dolan já havia conseguido ano passado com Mommy, abordando questão semelhante.

 

Em busca do desejo da verdade, Bercot expõe o desequilíbrio de uma geração que tende ao fracasso. Paradot brilha entre a extrema violência e uma sutil e furtiva fragilidade que devasta tudo ao redor, uma fúria interna descontrolada e interminável.

 

Em regra, toda cólera, todo sentimento de ferocidade possui uma origem, uma fagulha responsável pelo incêndio, as vezes de fácil percepção outras nem tanto. Difícil é compreender, controlar ou minimizar esses abalos sísmicos depois que atingem 12 graus de magnitude. Se o cérebro fosse um planeta e neurônios cidadãos, ele teria 200 bilhões de habitantes interligados por trilhões de possibilidades de comunicações entre eles. Pela complexidade desse órgão existem inumeráveis formas de as coisas darem errado e nem toda loucura tem seu método.

 

As espécies marginalizadas servem de ameaça, preocupam o homem de bem cujo bons costumes estão sempre correndo perigo. O delinquente é o elo de ligação entre o indivíduo quebrador do pacto social vigente e aceito e o indivíduo integrado ao meio, defensor da moralidade. A figura do delinquente não pode ser eliminada, nossa sociedade precisa do delinquente tanto quanto a igreja precisa do diabo.