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Deadwood

Situada no ano de 1876, Deadwood é mais uma pérola dos alicerces fundamentais da HBO que assentaram as bases para a construção da nova Era da Televisão. A série acompanha o surgimento e evolução da cidade de Deadwood, uma pequena vila que se formou com a corrida do ouro. A série documenta a vida de seus moradores destacando passagens de personagens históricos reais como Al Swearengen, Seth Bullock, Wild Bill Hickok, Calamity Jane e Wyatt Earp. Liderados pelo mestre Ian McShane, a HBO reuniu um elenco fenomenal para ressuscitar o interesse do espectador por um gênero bastante desgastado. Entre pesos pesados e talentos promissores, o elenco de Deadwood fez história colecionando premiações e ovações em suas três temporadas. Dalí sairiam estrelas para outras séries dramáticas de prestígios, como Justified, House of Cards, Ray Donovan e Breaking Bad.

David Milch, criador da série, revolucionou a forma como o western americano era retratado ao retirar do protagonismo os íntegros heróis do velho oeste para dar lugar à um contraventor, o mestre das manobras espúrias, Al Swearengen. A caracterização de um personagem tão multifacetado não poderia cair nas mãos de um iniciante, entra em cena o notável Ian McShane, ator britânico dotado de uma faculdade assombrosa de interpretação que desenvolve um personagem único, com extrema criatividade, enorme capacidade de improvisação e expressão corporal singular.

Nascida de uma colônia ilegal dentro do território indígena para facilitar a exploração do ouro, Deadwood é a síntese do avesso da moralidade; um território sem lei, ordem ou qualquer tipo de regra, cultura ou civilidade. Sem um sistema judiciário, seus moradores sentiram-se obrigados a, conforme as necessiddes, criar um sistema de regras sociais que permitiam minimizar a selvageria corriqueira do ambiente. Nessa atmosfera instável de distrito livre encontra-se a arena perfeita para o roteiro magnífico de Milch se desenvolver, sempre em sintonia com a excelência seu enredo abusa nas obscenidades e palavrões sem despautério, enriquecendo seus diálogos abundantes, talentosos e ágeis.

O homem, ser gregário, é um animal político, por isso que possui pela natureza o dom da palavra, e sua ideia de sociedade é um instinto natural. A sociedade sem Direito não resistiria, seria anárquica, teria seu fim. O direito é a grande coluna que sustenta a sociedade, já dizia Émile Durkheim, criado pelo homem para corrigir sua imperfeição. Milch dá uma aula de história em meio ao deserto do oeste selvagem em busca das raízes de uma nação. Entre a violência e corrupção, o instinto por poder impulsiona as mentes estampando o óbvio: somos mais do mesmo. Na tentativa de conduzir a regularidade ao caos, quem não se impõe, submete-se.

por Elmar Ernani