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Desconhecida

O californiano Joshua Marston já provou competência para comandar a direção de seriados e, paulatinamente, vem se arriscando (e bem) na transição da TV para o cinema. Seus dois filmes anteriores, o espetacular Maria Cheia de Graça (2004) e Perdão de Sangue (2011), obtiveram boas respostas dos críticos e do público especializado, dificilmente, pela sua forma de ver cinema, suas produções atingirão uma ampla platéia.

Seu novo filme contempla o mistério ao flertar com a possibilidade real do desconhecido. Acompanhamos Tom (o infatigável Michael Shannon) e sua esposa celebrando seu aniversário com um jantar em casa. Um dos convidados chega acompanhado de uma linda mulher chamada Alice (Rachel Weisz) deixando Tom intrigado pois ele acredita conhecê-la, porém com um outro nome.

Nessa busca pelo (re)conhecimento Joshua reflete, distante dos estudos psicológicos, a busca do indivíduo pela sua própria personalidade. Muitas vezes, frustrado sobre quem é ou o que se tornou, a única saída é abandonar as raízes que o levaram a tal posto e se converter para uma nova existência. Mas o que acontece se mesmo assim não se sentir satisfeito?

 

Presa a ideia que a vida não tem nenhum sentido ou objetivo definido e se dissolve a cada segundo, Alice transforma-se numa corrente de mudanças sem fim. A busca por algo inexistente a faz buscar o tempo inteiro. Sua urgência em perseguir o nada é maior que a aceitação da mediocridade da vida.

Nietzsche já proclamava a eterna insatisfação do homem à medida que é corpo e vontade não somente de sobreviver, mas também de vencer. Defendia que para enfrentar a inquietante realidade, no sentido da dificuldade de suportá-la, a única saída seria encarar os fatos sem máscaras ilusórias, seria viver o instante, se tornar o que sempre deveria ter sido, o que poucos têm coragem. Alice, muda de máscaras com a volatilidade das estações do ano.

Schopenhauer ataca em As Dores do Mundo: as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas. e os homens para serem devorados pelos pesares.

por Elmar Ernani