Próximo
Próximo
Próximo
Próximo
Próximo
Próximo

Destino Especial

Jean-Paul Sartre, o lume do existencialismo, foi influenciado por três correntes de pensamento: o materialismo dialético de Marx, a fenomenologia de Husserl e o existencialismo de Heidegger. A influência de Marx está na relação direta com a ação, só o discurso não transforma o mundo. De Husserl extraiu o método fenomenológico. E Heidegger, o questionamento sobre o ser analisando o ente.

Ateu, Sartre afirmou que a existência precede a essência, a famosa sistematização do princípio básico do existencialismo. A partir deste ponto fundante da doutrina faz-se necessário ao homem partir da subjetividade, e não de um algo a ser copiado. Existir é anterior e necessário, é indispensável ao ser.

O destino de um garoto de oito anos, que possui poderes especiais, é o cerne que movimenta todas as ações no novo filme de Jeff Nichols. O grande diretor e roteirista emplacou duas produções na mesma temporada e segue a passos largos para se tornar o maior representante de sua geração no cinema americano. Na trama, Alton, o garoto superdotado, foi criado num Rancho povoado por extremistas religiosos que acreditam fielmente que ele salvará a todos. Quando a data profetizada se aproxima, seu pai Roy (Michael Shannon) e seu amigo Lucas (Joel Edgerton) sequestram o menino. Tem início uma fuga desesperada, onde o trio precisa escapar dos enviados pelo Rancho, da polícia e do FBI.

Em sua quinta incursão no set de filmagem, dois aspectos que sempre permeiam sua produções são revelados. O primeiro é a sensibilidade do diretor em tratar personagens desacreditados, seus protagonistas são seres com causas, mesmo diante de um mundo esfacelado. O segundo é a obrigatória participação de Michael Shannon em todos os seus filmes. É pleonasmo elogiar a atuação de Shannon, o ator mutante, como um ciclone, engole o que estiver ao seu redor. Sua capacidade de transitar por ontologias diferentes impressiona assim como a frequência frenética com que trabalha.

Sartre declara que, se Deus não existe, há pelo menos um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, este ser é o homem. O homem é artífice de seu próprio ser. E só se cria depois de existir.

Inocência seria não atribuir a fatia da influência que a aleatoriedade exerce no homem por aquilo que se torna, mas o homem sempre será responsável direto por aquilo que é. O destino baralha as cartas e, assim, nós jogamos, alertava Schopenhauer.

por Elmar Ernani