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Elle

Nome forte na revolução do cinema holandês em meados de 70 e importado para Hollywood uma década depois, Paul Verhoeven, apesar de cultuado por diversos partidos cinéfilos, viu-se em pleno declínio desde Showgirls (1995) perdendo espaço na América e retornando, aos poucos, a dirigir em solo europeu. Elle devolve o prestígio mundial a um diretor sarcástico, inquieto e polêmico que nunca deveria tê-lo perdido.

A produção acompanha uma empresária da indústria de games, Isabelle Huppert, que sofre abuso sexual de um desconhecido dentro de sua própria casa. Suas suspeitas de que seja alguém próximo e os novos planos para ela do agressor misterioso quebram sua rígida rotina fazendo com que ela se adeque a nova realidade.

Verhoeven afasta sua obra de toda a psicanalítica freudiana e do afluxo pró-feminismo para realizar um tratado sobre a observação da normalidade que, mesmo em situações desfavorecidas, comporta o suspense, a fantasia e até o humor. Huppert irrompe implacabilidade como uma mulher decidida e independente que resolve aprofundar nos cantos mais escuros de sua alma, sombras até então desconhecidas. Distante do fatalismo inocente a lógica é posta de lado nos momentos que sucedem um evento traumático.

Na adrenalina do absurdo aquilo que é normal não se arrefece, pelo contrário, modifica-se a ponto de não ser mais reconhecido dentro da razoabilidade que já fora. Verhoeven despreza o câncer do politicamente correto atual desdenhando de seus indivíduos que se ofendem com qualquer coisa naquela que, categoricamente, é sua melhor obra em décadas.

 

Sentados em sua poltronas acolchoadas, os ecologistas de boutique dissertarão ofensas pelo simples motivo que temem refletir, é a censura do pensamento transvestida de consciência social e altruísmo. Falar é de graça e o lobby de se fazer de bonzinho é um negócio rentável. E, se o modismo ideológico lhe virar as costas passe a mão na bunda dele, já dizia o grande Nelson Rodrigues.

por Elmar Ernani