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Estados Unidos Pelo Amor

O argumentista e condutor polonês, Tomasz Wasilewski, apesar de jovem já possui três créditos em seu repertório, juntamente com Pawel Pawlikowski (Ida) fazem parte da terceira grande geração de cineastas poloneses. Situada no olho do furacão em diversos conflitos ao longo do tempo, o cinema daquele local reflete as cicatrizes que o País soube suportar. Os realizadores poloneses sempre levaram em consideração as realidades psicológicas e seu próprio tempo.

Wasilewski nos situa em 1990, quando um sentimento de euforia e alívio pela recém liberdade invade as ruas da Polônia, mas traz consigo as incertezas de um futuro nebuloso. Nesse contexto, quatro mulheres decidem mudar suas vidas e buscar o mito da felicidade.

Não procure entrada fácil nesse drama das banalidades do cotidiano consequencialista, muito menos saída. Somos introduzidos em uma mesa de jantar, conversas sobrepostas e sem sentido, a situação geral do País nos é relevada. O Tratado da Fronteira Alemanha-Polônia fora assinado, o muro de Berlim caiu, levando com ele o comunismo. A Polônia, massacrada na Segunda Guerra Mundial e refém da União Soviética na Guerra Fria precisa se recompor. Seu povo também.

A fotografia gelada e sem vida retrata a angústia de seus personagens. Primeiramente, a falta de norte libera a tensão de quem não sabe aonde ir, com o tempo seus desejos desabrocham após o enclausuramento de anos a fio guiando seus objetivos para algo até então nunca explorado: a busca pelo prazer.

 

 Freud teorizou o desejo ao cravar que ele é o âmago de nosso ser, impulsionado pelo princípio do prazer, busca a satisfação imediata de todas as necessidades e impulsos. Esse princípio é o que orienta o Id a se esforçar para cumprir os desejos mais básicos e primitivos do sujeito, entre eles o sexo. Wasilewski esvazia os sentidos do amor negando o princípio da realidade em prol do arrebatamento sexual, porém, apegado a suas raízes trágicas, direciona seus trilhos em direção a marreta do fatalismo, ao irresistível desfortúnio.

por Elmar Ernani