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Estrelas Além do Tempo | Filme

Estrelas Além do Tempo

1961. Guerra Fria a todo vapor. Enquanto Estados Unidos e a União Soviética disputam a hegemonia pela corrida espacial, a sociedade americana enfrenta uma profunda cisão racial. Tal vexatória situação também é refletida dentro da NASA, onde as funcionárias negras são obrigadas a trabalhar em um prédio separado dos demais. Três mulheres negras irão se destacar na hierarquia da NASA num típico caso em que seus raros talentos forçam a ruptura do preconceito racial na marra.

A história desse trio visionário e resiliente que inspirou uma revolução tecnológica no mítico parque espacial estadunidense permaneceu por anos escondida, relegada e oculta nas sombras. Theodore Melfi deu um basta nisso, em seu segundo longa - o primeiro fora o inspirado Um Santo Vizinho (2014) - o promissor realizador americano, depois de cativar e iluminar no drama/comédia com Bill Murray, explora as agruras da injustiça e da fundação da lógica de araque dos imbecis. Com um passado familiar profundamente enraizado na hipocrisia e no desrespeito, Melfi foi preciso ao atacar as feridas americanas.

Nos extremos a critica e o absurdo ficam mais evidentes, ali, no maior centro tecnológico do mundo abriga a intolerância e o atraso mental ao lado de mentes extremamente capacitadas para as ciências exatas e tecnologia de ponta. O arcaico e o novo.

Theodore Melfi expõe seu ponto de vista mostrando a chaga da velha América, mas de longe e com certo humor. Não existe o toque, o dedo na ferida. Uma história tão poderosa poderia ter sido servida como um soco no abdômen, seria uma merecida e honesta forma de se fazer justiça pela arte.

Em certo momento do filme diz que o futuro está lá no alto, certo dizer que para a raça humana a exploração do infinito espaço que o rodeia possa trazer respostas - apesar que trará também mais questionamentos - mas para a sobrevivência como sociedade, o futuro depende unicamente de ações perpetradas no cotidiano. Esse futuro não está em lugar algum.

 

Einstein, genialmente, disse certa vez: "se minha Teoria da Relatividade estiver correta, a Alemanha dirá que sou alemão e a França me declarará um cidadão do mundo. Mas, se não estiver, a França dirá que sou alemão e os alemães dirão que sou judeu". Para a sorte dessas três excepcionais mulheres elas estavam certas.

por Elmar Ernani