Próximo
Próximo
Próximo
Próximo
Próximo
Próximo

Frank & Lola

Matthew Ross, diretor e roteirista de curtas, é um estrangeiro e uma incógnita quando o assunto se estende para obras com mais de setenta minutos de duração, o popular longa-metragem. Frank & Lola é um prefácio envolvente e admirável do que podemos esperar daqui em diante do jovem diretor nova-iorquino.

Somos transportados para um sedutor conto psicológico que mistura suspense e desconfiança na mesma intensidade que distribui obsessão e arrebatamento. Na trama, Frank (Michael Shannon) e Lola (Imogen Poots) possuem um sólido relacionamento que com o passar do tempo eclodirão obscuros segredos capazes de arruiná-los acabando de vez com a aparente normalidade do casal.

Ross parece seguir um dos princípios de Henry Louis Mencken, famoso crítico social americano, que dizia que o amor é o triunfo da imaginação sobre a inteligência. Frank, destituído do falso conhecimento que concebera no pouco tempo de relação, gradativamente é sugado para um jogo sombrio de incertezas após resistir fielmente pela integridade do romance.

Com uma força de atração e repulsão em suas veias, Frank e Lola se comportam como uma ímã que emite campos magnéticos por natureza. Cada reviravolta distorce o movimento de suas cargas para uma aproximação ou distanciamento sob a elucidação de um fino feixe de luz envolto numa pilha de mistérios e nervos.

Poots brilha como uma alma atormentada e vazia que nada reflete além de desejo, porém, mais uma vez, é Michael Shannon que assola magnificência na pele do sujeito que escala a rampa escorregadia da verdade olhando para os lugares errados. O workaholic e engenhoso ator faz a perfeita definição do declínio que se abate no indivíduo possuído pela doença da suspeita, como em Otelo (do incomparável Shakespeare) o ciúme patológico devora a carne que se alimenta. "É um monstro de olhos verdes, que zomba no próprio pasto que o alimenta. Quão felizardo é o enganado que, cônscio de o ser, não ama a sua infiel. Mas que torturas infernais padece o homem que, amando, duvida, e, suspeitando, adora.

por Elmar Ernani