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Gett

 

 

Os irmãos Elkabetz, Ronit e Shlomi, finalizam sua trilogia em homenagem à sua mãe, e não poderia ser menos significativa. Se em To take a wife, de 2004, o foco é a desconstrução do casal, no ulterior, Shiva (2008), o cerne se baseia no luto. Agora em Gett, Viviane Amsalem enfrenta uma guerra imoral e grotesca para obter o divórcio junto ao Tribunal Rabínico, a única autoridade legal para julgar casos de divórcio em Israel. No anseio de conseguir sua liberdade, Viviane terá de enfrentar o doloroso tempo, um marido inflexível, além de leis e autoridades estúpidas que ultrapassam o limite da psicose.

 

Em Israel, os assuntos relacionados ao matrimônio e quaisquer outras questões familiares não se aplicam às leis civis, estes assuntos são de mérito da lei e tribunais religiosos. As mazelas religiosas apoderam-se de todo o ordenamento jurídico daquele País alienando suas faculdades mentais com seus dogmas usurpadores e infames.

 

Todo o filme é retratado entre a sala de julgamento e os corredores do tribunal. Sua ausência de espaço e cor é um reflexo da vida da personagem. O filme é sufocante e intenso, com alta carga emocional, e todos os elogios vão para Ronit Elkabetz (além de escrever, também interpreta Viviane) que atua de forma definitiva. Seu olhar e suas expressões corporais conversam intimamente com o espectador e pedem socorro de forma notável.

 

Os irmãos denunciam uma sociedade surreal que se recusa a pensar e continua firme, presa a escritos longínquos idealizados por pastores de ovelhas que acreditavam que a chuva era consequência da vontade de um ser superior. Em sua filosofia, Kant dizia que o homem vive em dois mundos: o natural e o da razão. O que se vê é um domínio amplo da bestialidade dos homens enraizados em princípios vingativos e machistas de um deus castigador, moralista e juiz de homens. Esse cabresto, a moral do rebanho, implica diretamente em indivíduos covardes que teme suas mazelas e se econdem atrás de uma muleta.

 

Adaptando Nietzsche: A religião só poderia triunfar em um mundo degenerado.