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High-Rise

Desde tempos imemoriais se vem repetindo hipocritamente: os homens são iguais. Mas desde há longo tempo que a desigualdade mais vil e monstruosa pesa insolentemente sobre o gênero humano. Gracchus Babeuf, em 1796, com precisão cirúrgica definiu a desigualdade que os homens iguais promoveram entre si, seu manifesto dos iguais era a base da Conspiração dos Iguais, movimento igualitário ocorrido durante a Revolução Francesa, e considerado a primeira declaração política de caráter socialista.
 

Ben Wheatley adapta a obra de J.G. Ballard. O romance integra a trilogia do desastre humano escrito por Ballard para reiterar a capacidade de flexibilização do ser humano em se corromper. Em um futuro não muito distante, um prédio residencial abriga a ousadia de ser mais que um complexo de luxo, se tornar o embrião de um edifício-cidade. Distantes do mundo externo e confinados em uma propriedade com vida própria, que oferece as mais variadas comodidades, seus residentes são divididos socialmente por andares, onde o status financeiro cresce à medida que seus andares se sucedem, do mais baixo até o último andar em que reside o arquiteto da reformadora edificação.

Todas as grandes transformações históricas foram precedidas pelo aparecimento de novos interesses e/ou necessidades que, cedo ou tarde, entraram em conflito com os interesses e as necessidades existentes. O pretensioso projeto será palco do eterno embate econômico-social deflagrando a instauração do caos através da luta de classes como o motor dos acontecimentos, tal como acreditava Lênin.

Para Marx a história da sociedade é a história da luta de classes, algo inexistente em sociedades primitivas devido ao fato do surgimento do antagonismo social ser inerente às mudanças nas bases de produção e nos conflitos entre os homens, o que resultou na posse privada por um determinado grupo social e o benefício do seu meio gerador através da exploração da outra classe social que não detinha a posse dos meios de produção. A filosofia, em sua visão, é fundamentalmente política.

Existente até hoje, e assim permanecerá, a oposição irreconciliável entre a classe dominante e a dominada é a medula da própria história do homem. Dividido em classes sociais, a inevitabilidade da luta entre os seus respectivos ocupantes é um fenômeno regido pelas leis sociais. O homem só estabelece efeitos diretos por sua expectativa de direito através da ação.