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Homem Irracional

 

 

Um fato é de conhecimento de todos que gozam da sétima arte: todo ano temos o prazer de ver em ação Woody Allen. O doutrinador das palavras sempre tem algo a dizer.

 

Em crise existencial, um professor de filosofia Abe (Joaquin Phoenix) aproxima-se de uma de suas alunas Jill (Emma Stone). Em uma de suas caminhadas filosóficas ouve a conversa de uma estranha sobre a perda da guarda do filho devido à uma decisão dúbia do juiz Spangler. Abe idealiza o assassinato do juiz como um propósito de vida, obsessivo com a idéia de que o mundo ficará um pouco melhor sem sua presença.

 

Entre vastas comédias e alguns dramas que fazem parte da carreira desse gênio da arte em movimento, há também alguns suspenses com toques policiais sempre provocado por um crime e dilemas morais. Homem Irracional faz parte desse grupo - que tem entre outros, o excelente Crimes e Pecados (1989), e os igualmente muito bons Match Point (2005) e o O Sonho de Cassandra (2007).

 

O filme possui todas as características notáveis de Allen: fotografia, montagem, comédia agridoce, excelente elenco, diálogo afiados, contudo derrapa na tentativa de fazer uma homenagem à Crime e Castigo, de Dostoiévski - um de seus escritores favoritos.

 

Um dos pontos fortes do filme é levar de forma didática conceitos de pensadores renomados como Kant, Heidegger, Sartre e até o religioso Kierkegaard. A longa lista de clichês, uma narrativa sem empatia e um final burlesco, beirando o risível são pontos que incomodam ao assistir o filme.

 

Não há como produzir obras sempre lineares no quesito qualitativo em um ritmo frenético que o diretor se propôs a marchar, altos e baixos são mais do que esperados. A notícia boa é que é preferível assistir Woody Allen em um temporada de baixa à 80% do que é produzido em Hollywood.