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Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo

Filas infinitas que não andam pela cidade inteira, estupidez generalizada, excrementos de cachorros por toda parte, trânsito inviável, transporte público patético, hospitais burlescos, lentidão é a regra e educação se tornou um artigo de luxo.

Nesse ambiente pacificador, Ruth (Melanie Lynskey) segue fazendo seus deveres deprimida e exausta. Quando sua casa é assaltada, ela propõe, como propósito de vida, rastrear os meliantes. Junto com seu excêntrico vizinho (Elijah Wood), logo perceberão que estão diante de um perigoso grupo de criminosos degenerados.

Macon Blair dirige e assina essa alegoria irônica e insólita sobre os tempos atuais. Com diálogos fascinantes e atuações hilariamente comedidas, Blair abusa do estapafúrdio para elaborar uma trama sem sentido e totalmente imprevisível. A falta de noção crítica é feita sob encomenda para o olhar perspicaz do estreante diretor em relação ao seu meio.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, a população mundial ultrapassou os 7 bilhões em 2011 e segue aumentando desenfreadamente. Em 2050, a população mundial poderá atingir 10 bilhões de pessoas. Stephen Emmott, notável cientista, alerta para um apocalipse demográfico ao analisar as consequências de uma população humana muito maior do que o mundo é capaz de sustentar. Thomas Malthus, famoso economista inglês, já afirmava em sua teoria que o descompasso entre o crescimento populacional desmedido e os recursos necessários para a subsistência não se acompanhavam de maneira equitativa. O teórico argumentava que desastres eram benéficos ao equilíbrio mundial, pois ajudavam a controlar o crescimento de seus habitantes.

Com o inchaço populacional frenético, além da explosão demográfica outra questão, de mesma relevância, ameaça a predação planetária: a legião de imbecis que tomaram as cidades. Umberto Eco salientou sua preocupação ao dizer que amplificadas pelas redes sociais, os idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade e eram rapidamente silenciados, agora tem o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel.

Macon Blair percebeu, que em tempos líquidos, o idiota da aldeia foi promovido a portador da verdade; se é inútil argumentar contra um imbecil utilize-se da chacota para atingi-lo.

por Elmar Ernani