Próximo
Próximo
Próximo
Próximo
Próximo
Próximo

Jackie

Primeiro projeto de língua inglesa do espetacular diretor chileno Pablo Larraín, Jackie representa a face dos Estados Unidos, com seus prós e contras. A ousadia do latino ao mexer em um vespeiro tipicamente americano é louvável, mas ao mesmo tempo engessa seu método incisivo de filmar. Isso não quer dizer que sua fita regresse a média americana de filmar suas sub-celebridades, sua ótica não-convencional é responsável por um recorte maduro e realista da ex-primeira dama dos Estados Unidos.

No drama, Larraín filma o período da recém viuvez de Jacqueline Kennedy, nos quatro dias posteriores ao assassinato do marido, o então presidente John F. Kennedy, em um carro aberto, em 1963.

 

A pompa de um épico midiático sobre uma figura endeusada é irresistível, mas não corrompe o cinema de Larraín que impressiona no minimalismo, investindo em uma dura fotografia banal dos bastidores de uma super estrela, no fim das contas, superestimada. O momento trágico escolhido pelo chileno tem seu propósito claro, despir a representação poderosa e intocável de Jackie, uma das mulheres mais influentes de seu tempo, para focar no ser humano e sua força para catalisar o recente desastre inconcebível dentro de si e cuidar dos seus dois filhos pequenos.

 

Retratando a primeira dama mais icônica da história dos Estados Unidos, Jackie é, sobretudo, o embate do luto e da política, do real e do fantasioso, do grandiloquente e do natural. Percorrendo os corredores onde se realizam a transformação do fato verdadeiro para o jogo de aparências, Larraín seleciona o momento chave da criação da mitologia moderna do Império americano do bem.

por Elmar Ernani