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John Wick 2

O que acontece quando se apunhala o Diabo pelas costas?

 

Chad Stahelski, inspirado, esforça-se para responder esse enigma três anos após sermos apresentados a Baba Yaga, a criatura lendária e sobrenatural que dá forma aos mitos eslavos.

John Wick (Keanu Reeves), o bicho-papão, uma máquina de matar atroz, tem seu plano de aposentadoria adiado quando Santino D'Antonio (Riccardo Scamarcio) reaparece cobrando uma promissória em seu nome. Com a dívida de sangue aberta, Santino reivindica sua liquidação compelindo John Wick a matar sua própria irmã.

A construção de um mundo a parte, onde as forças fundamentais da natureza interagem de formas distintas do que se tem conhecimento, é irretocável. O primor estético desenvolvido pelo ex-coreógrafo de Keanu Reeves em Matrix é admirável, raras vezes visto no cinema de ação. Uma sequência que supera o original em todos os aspectos e expande seu universo com grandiloquência e precisão notável, cada detalhe pensado com preciosismo une harmoniosamente, como um número de balé clássico, a violência artística e a selvageria plástica estabelecendo um novo patamar no gênero.

Se tudo funciona com a impecabilidade de um relógio suíço metade do crédito deve-se a Keanu Reeves. O carismático ator de feições limitadas encaixa como uma luva na pele do anjo da morte, seu charme é impagável e seu comprometimento é canalizado na telona com impetuosidade e cólera.

Coreografado no excesso, a continuação de John Wick ultrapassa os limites das fórmulas prontas indo além da compreensão do nosso espaço físico. Beirando a alucinação, Chad Stahelski declara guerra aos formatos padronizados desenvolvendo seu fetiche letal, uma alegoria incontrolável e brutal sobre o arrebatamento do absurdo.

Enquanto alguns comem escondido, Baba Yaga sai por toda a parte lambendo seu prato.

por Elmar Ernani