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La La Land

 

 

Se o cinema é a adequada manifestação da imaginação humana e sua capacidade para o encantamento, La La Land é a magia de um cinema que fascina e cativa.

A ousadia em apostar em um gênero quase morto e de difícil aceitação é uma das características do cinema de Damien Chazelle. Inquieto e fora dos padrões, seus filmes são otimistas sem serem enfadonhos, esperançosos sem de fato terminarem felizes, entusiastas das combinações de ritmos e sons sobressaindo-se um notório fascínio pelo jazz.

Seu projeto engavetado há anos só pode enfim conhecer a luz do dia após o arrebatamento que Whiplash (2014) - seu filme anterior - encadeou na comunidade cinéfila. Se Whiplash foi seu grito de desabafo após seguidas frustrações na busca de seu caminho, La La Land é o devaneio de uma mente em paz. Chazelle aborda a velha história da perseguição do sonho como um sentido na vida através de uma nostálgica e doce história de amor entre um pianista de jazz, Sebastian (Ryan Gosling), e uma aspirante a atriz, Mia (Emma Stone). Em busca de oportunidades na cidade dos sonhos, o casal luta para progredir artisticamente e, ao mesmo tempo, permanecerem juntos.

Em um show de homenagens que vão desde os antigos musicais à cidade de Los Angeles, Chazelle esbanja carisma e romantismo para saudar a ingenuidade perdida, filma com precisão cirúrgica números musicais treinados à exaustão embalados no ritmo de uma trilha sonora magnífica. Em tempos que se confunde felicidade com conquistas e prazer com compulsão e voracidade, Chazelle foca na satisfação do bem-estar e todas essas buscas pelas coisas que nos fazem bem provêm da realização, mesmo que repentina, de necessidades represadas em alto grau. O moribundo anseia por algo que o saudável nem pensa.

Na imprevisível cidade que exporta ambições e vende desejos, Chazelle brinda ao amor e ao fracasso. Temido por aqueles que sonham, o fracasso pode, em muitos casos, libertar a mente despreocupando-a da busca, incansável e inútil, de um sentido à vida. Todos nós, já poetizava Martha Medeiros, somos de alguma forma feitos de sonhos interrompidos, detalhes despercebidos e amores mal resolvidos.

 

Um brinde aos tolos que sonham e aos corações que sofrem.

por Elmar Ernani