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Leviathan

 

 

O poderoso filme russo, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e indicado ao Oscar na mesma categoria, é a supremacia da força de um símbolo.

 

Leviatã é descrito no Livro de Jó como uma criatura mitológica e soberba. Ele não pode ser subjulgado e ninguém cai duas vezes no erro de lutar contra ele, porque simplesmente esse ser deixa de existir logo após a primeira tentativa. O Criador impressiona Jó com sua sabedoria e onipotência. O símbolo do Poder é esmiuçado em mais de mil páginas e os tolos homens, possuídos de temor e medo, caem um por um em seu conto delirante. A religião em sua essência.

Influenciado pela mitologia bíblica, Hobbes evoca o peso dramático que o nome possui afim de atingir o público que desejava. Na sua dialética sobre a política da organização da sociedade, Hobbes procura na instável natureza humana sua fundamentação, para ele, o homem é o lobo do homem, desconhecendo, no seu estado natural, as noções básicas de leis e justiça. A única forma de impedir o caos absoluto é diante do pacto social quando todos abrem mão de seu direito em nome de um único Soberano. Abre-se mão da liberdade em prol da segurança. Novamente o símbolo do Poder é elevado diante dos submissos plebeus. O Estado impositor é a força reguladora.

O Estado corrupto e a religião como uma forma dominante de uniformização de pensamentos sempre andaram juntos, ambos são capazes de dominar as massas, seja por medo, imposição ou choque de forças desiguais. No filme, Andrey Zvyagintsev nos leva à península do Mar de Barents, no Ártico, para narrar a jornada de um pai de família em sua luta contra um prefeito corrupto que pretende tomar suas terras.

Com uma forte crítica entre a união tortuosa do Estado viciado e a Igreja oportunista Andrey não realiza uma obra de fácil digestão. Corajoso, o diretor escancara as instituições estagnadas e seu entrave ao progresso com imagens impactantes. Desenvolvendo-se de forma ardilosa, com passagens soturnas, pausas reflexivas e lentidão necessária, o mestre russo confecciona seu próprio monstro imponente e espetaculoso à luz da argumentação intelectual, diferentemente dos seus antepassados.