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Logan

Não seja aquilo que fizeram de você.

 

Quatro anos após a patética incursão no universo dos super-heróis com Wolverine: Imortal (2013), James Mangold se redime com honrarias. Seu Wolverine, calejado e fracassado, é a expiação de um futuro caótico e funerário em que as derrotas pesam sobre o ombros dos remanescentes.

Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart). Esgotado mental e fisicamente é procurado por uma mexicana para proteger a pequena Laura. Ao mesmo tempo em que recusa voltar a ativa, Logan é perseguido por um mercenário que tem interesse na menina.

Os efeitos colaterais sobrecarregam um corpo cansado de lutar, Logan exibe fisicamente as marcas dos flagelos de ser quem é. Os reveses das quedas e das frustrações são visíveis a olho nu diante do colapso psicológico que acomete o ex-X-Men. Sobram as ruínas de tempos gloriosos encobertos pela infinidade de poeira.

Mangold estuda visceralmente o personagem na linha do que fizera Christopher Nolan com sua inigualável trilogia do morcego. A pirotecnia dá lugar a diálogos amargurados, a desesperança em lidar com as perdas pede passagem aos vórtices de efeitos especiais. O ser humano exposto sobressai ao alter ego especial.

Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em que ele continue vivo, mas Logan, cansado da batalha, se esforça com dedicação para acabar com sua própria vida.

por Elmar Ernani