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Longe Deste Insensato Mundo

 

 

Ao ser um dos co-fundadores do Dogma 95, Thomas Vinterberg - ao lado do gênio Von Trier, ratificaram a crueldade e o respeito com o cinema amador. Alegaram que o Dogma foi um forma de tentar encontrar uma verdade. Com o passar do tempo eles abandonaram o movimento já que o que era para ser uma revolta contra as convenções acabou por se tornar uma outra convenção. Cada um desenvolveu seu próprio olhar em busca da verdade. Essa secessão só intensificou e aguçou ainda mais suas obras.

 

Vinterberg, um monstro do cinema contemporâneo, autor de obras incríveis, que após escancarar a pedofilia para estudar a paranoia na sua última obra prima, A Caça (2012), faz seu primeiro filme de época, uma tentativa de dar uma nova perspectiva a um gênero inflacionado de clichês. A jovem Everdene (vivida pela excepcional Carey Mulligan) desperta o amor de três diferentes homens: um pobre pastor (o camaleão Matthias Schoenaerts), um soldado renomado (Tom Sturridge) e um rico fazendeiro (o sempre correto Michael Sheen).

 

A trama se desenrola de forma compassada sempre pautada por admiráveis planos, primorosos diálogos e grandes performances. A trilha sonora é obrigatória e até Vinterberg se dobra aos talentos vocais da espetacular Carey Mulligan - o mesmo já havia ocorrido com Steve McQueen em Shame.

 

Mesmo em um romance de época impulsionado pela ascensão da independência feminina tanto em termos profissionais quanto no poder da escolha, Vinterberg confirma o seu desamparo com a condição humana sempre deixando claro como a natureza não se importa com o homem, levando suas convicções para um desfecho da corrupção moral dos homens e um caminho de destruição.