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Love

 

 

"O tempo reconstrói tudo, sem a percepção do tempo, tudo seria pedra".

 

Polêmico e provocativo. Essas são duas palavras que sempre estão inseridas no cinema de Gaspar Noé. Em regra, seus filmes - Noé escreve e dirige todas suas obras - buscam espaço no submundo, em meio aos fracassados e fatalistas, abordando por diversas vezes temas como o crime, a violência, o sexo e a vingança.

 

Noé, argentino radicado na França, que já havia chocado o mundo com Irreversível (2002) e sua famosa (e insana) cena de estupro de nove minutos rodada sem cortes em uma história feroz de crime e vingança, resolve dessa vez falar sobre o amor, no entanto, pelo simples fato de ser um filme de Gaspar Noé, não espere convenções. Para o diretor o ato sexual deve ser mostrado sem ornamentações, há de ser cru, íntimo e realista, pois suas cenas são fundamentais para compreender a psicologia dos personagens.

 

Na trama, Murphy está frustrado com a vida que leva ao lado da mulher e do filho. Certo dia ele recebe um telefonema da mãe se sua ex-namorada, Electra, perguntando seu paradeiro, já que está desaparecida há meses. A ligação desencadeia uma forte onda nostálgica em Murphy.

 

São 135 minutos, dos quais a grande parte deles passados entre atos sexuais, gemidos e corpos nus. O sexo é totalmente explícito, assim como foi o estupro treze anos atrás, com direito a uma ejaculação frontal em 3D. Opiniões se dividem; uns acreditam estar vendo um filme pornô, outros já acreditam que isso nos aproxima da realidade, já que o filme pornô tem muito pouco a ver com a relação amorosa, nele não há passado nem futuro. Para Noé, a maldição do politicamente correto está acabando com o erotismo do cinema, "se você quer ver nudez no cinema vá aos museus e galerias de arte", diz o diretor.

 

Love é mais do que a relação passional de dois jovens vociferando-se nus sob os lençóis e suas sexualidades emocionais; é sobre a perda, sobre um fracasso, a derrocada do amor, porque no fim, como diria Hegel, a história humana é um tribunal de julgamentos.