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Loving

Segunda produção do talentoso roteirista e cineasta Jeff Nichols esse ano, Loving, já nasce como um clássico, mergulhado na vergonha de práticas e pensamentos abomináveis intercala a sutileza de uma direção que tem o total controle do fluxo da obra com a tortura da estupidez humana irrestrita.

Na real (e absurda) trama, Richard (Joel Edgerton) e Loving (Ruth Negga), um casal interracial, são presos por terem se casado. Estamos no estado da Virgínia, meados da década de 50, e o matrimônio de pessoas de raças diferentes é proibido por lei. Jogados na prisão e exilados do estado onde viviam, eles lutam pelo matrimônio e pelo direito de voltar para casa como uma família.

História delicada e dramática que nas mãos de outro diretor de Hollywood se tornaria um show da Oprah, com direito a soluços e gritaria. Nichols, a cada lançamento mais confiável, inteligentemente evita a pompa do sofrimento pintado com serenidade e honestidade, evitando clichês racistas e dando um toque de humanidade comovente, dialogando intimamente com o espectador.

Martin Luther King, orador carismático, foi, e sempre será, o símbolo da luta por igualdade e líder de uma revolução que ecoa até hoje, porém quase 50 anos se passaram desde seu assassinato e a barbárie da natureza do homem pouco mudou, muito pelo contrário. Shakespeare preferiu que assim que nascemos choramos por nos vermos neste imenso palco de dementes. Oscar Wilde completou o gênio ao dizer que se o mundo for o palco, o elenco é deprimente.

O estúpido é como o morto, ele não sabe que está morto. A dor é dos outros.

por Elmar Ernani