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Ma Ma

Uma produção que consegue reunir a maior atriz espanhola de sua geração, Penélope Cruz, e Julio Medem, conceituado diretor basco, automaticamente atrai para si atenções e altas expectativas. Ma Ma sucede a rotina do cineasta que desde Os Amantes do Círculo Polar (1998) segue surpreendendo e tocando sua plateia com suas tramas sobre as experiências emocionais das pessoas comuns, porém derrapa na construção de um mega melodrama apressado que apesar de conter passagens brilhantes soa, no conjunto da obra, aquém do esperado.

Todo o filme gira em torno da fabulosa Penélope Cruz e esse é o acerto primordial que evita que a obra seja conduzida ao rápido desmemoriamento. Na história observamos a vida de Magda, professora desempregada que é diagnosticada com câncer de mama ao mesmo tempo que descobre a infidelidade em seu relacionamento. Com um filho para criar e o quimioterapia a suportar, Magda enfrentará o martírio dirigido àqueles desventurados, os escolhidos pela aleatoriedade da vida, o acaso.

Em cenários que envolvam o acaso os processos cerebrais das pessoas costumam ser defeituosos muito pela dificuldade que os seres humanos apresentam em tomar decisões ou desenvolver um raciocínio apropriado diante de situações com informações imperfeitas ou imprecisas. Diante do fracasso do determinismo, a aleatoriedade e a incerteza influenciam diretamente na vida de cada um impossibilitando o controle preciso de sua própria existência. Surge então o tendencionismo, a prática humana que, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, rejeitando, muitas vezes, instâncias contrárias e muito mais numerosas para que sua opinião continue inabalada. Geralmente, diante de uma nova ideia prova-se, a todo custo, sua certeza ao invés de provar que pode estar errada.

Em vez de perder tempo transmutando-se em vidente com o intuito de prever acontecimentos futuros ou construir histórias para explicar o passado como um engenheiro de obra pronta, deve-se criar a capacidade de reagir a eles, Magda entende que se o acaso é inevitável e a sorte é fundamental, então o diferencial pode não ser o talento (ainda que ele seja necessário), mas a persistência.

por Elmar Ernani