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Macbeth

 

 

Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição, disse certa vez Maquiavel.

 

O recém diretor Justin Kurzel começa a dar pinceladas sobre suas preferências. Adepto do cinema brutal e intenso, em seu primeiro filme, Snowtown (2011), ele invade a mente de um jovem influenciável até se tornar um psicopata serial. Quatro anos depois ele dá um passo maior e tão corajoso quanto, adaptando a obra inadaptável do mestre Shakespeare. A peça escocesa amaldiçoada: Macbeth.

 

Na obra de Shakespeare, Macbeth é um general do exército escocês que ao sair vencedor de uma batalha ouve o presságio de três bruxas que dizem que ele será o novo Rei. Possuído pelo desejo e pela ambição, aos poucos, sua mente sucumbe.

 

Aclamado pela crítica internacional, Macbeth é uma obra intimidadora que abraça sua veia teatral clássica. Privilegiando planos abertos e longos, Kurzel dá fim a maldição da peça escocesa parar criar a encenação na grande tela definitiva sobre o tema.

 

A dupla - Michael Fassbender e Marion Cotillard - foi escolhida a dedo. Dois atores com um nível de excelência difícil de ser atingido nos tempos atuais. Suas atuações são impressionantes. Deveria ser imortalizado em algum manual para aspirantes à profissão.

 

Visualmente é forte, pesado, sangrento, estonteante e belo. Um fenômeno de construção de imagens poderosas que não se vê há anos na sétima arte. Kruzel ergue a beleza a partir da violência crua. A barbárie nunca foi tão terrivelmente linda quanto em Macbeth.

 

Apesar de uma certa morosidade em algumas cenas, o lirismo dos diálogos antigos, com atuações magníficas e uma entrega visual inigualável, elevam esta obra há um patamar jamais alcançado das interpretações shakespearianas.

 

Uma ópera furiosa.