Mad Men | Série
Mad Men | Série

Mad Men

Criada por Matthew Weiner e exibida pela AMC, Mad Men faz parte do reservado grupo das pérolas desse tipo de arte que representa o mundo real ou imaginário e que possui a visão como a principal forma de absorção. Manifestações dessa espécie possuem força para alcançar relevância em termos de entreterimento, arte e até História facultando em um inestimável valor cultural de sua época.

Situada na década de 60, Don Draper (Jon Hamm) é um dos mais talentosos nomes da cena publicitária de Nova York e seus próximos passos definirão os rumos de um mercado competitivo e imprescindível. Em meio a um período de grande movimentação política e social, os funcionários vivenciam a transformação da Madison Avenue ao mesmo tempo em que lutam para conquistar grandes clientes e serem notados.

A série retrata com fidelidade e excelência os turbulentos anos de 1960 com uma reconstituição dos fatos históricos que são completos documentários e a realidade predatória das pessoas que vendiam, e buscavam, o sonho americano. Na esteira de tempos politicamente incorretos e inquietações sociais prestes a explodir, personagens contraditórios e imorais nos guiam por uma jornada de tabagismo em busca do autoconhecimento e das questões realmente essenciais.

Vivendo nas decorrências da Era Eisenhower, implantou-se um mito americano de que os Estados Unidos possuíam um modelo de vida para exportar para o restante do mundo. Esse sentimento contaminado pela época de ouro americana dos anos 50 de estabilidade econômica, aumento do consumo e da produção tecnológica e aspiração da classe média foi aos poucos dando lugar ao discernimento do óbvio; de que essa fantasia lúdica simplesmente não estava consoante à realidade. A incapacidade de sustentar esse modelo gerou conflitos e transformações irremediáveis, e Weiner, sob os destroços dos sonhos arruinados, forjou sua retórica com destreza e elegância. Na maestria do relacionamento entre as pessoas se encontra o diferencial de Mad Men para qualquer dramaturgia já feita para a TV.

A Publicidade, assim como o Jornalismo, se revela integrada com o sistema econômico oferecendo referências e parâmetros para a existência cotidiana. Don Draper, nesse contexto, é a ilha de sentido, cria e transforma as pautas vigentes, hábitos e preferências, formas de consumo e interpretação do mundo. Draper é o mestre do simbolismo, sujeito que, como poucos, sabe que o conhecimento produz valor porque também gera sentido e a melhor forma de tocar as pessoas é dominando a linguagem da nostalgia. Ela, delicada, porém potente é uma pontada mais impetuosa que a memória, é como uma máquina do tempo, avança e retrocede permitindo a pessoa voltar ao lugar que anseia, para o lugar aonde ela sabe que é amada.

Dizem que as pessoas querem tanto que as diga o que fazer que acabam por ouvir qualquer um, porém na arte da persuasão, não importa o que você é ou o que quer, mas sim como você se vende.

por Elmar Ernani