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Meadowland

 

 

Enquanto assistia esse belíssimo, e triste, filme, recordava das palavras sábias e desamparadas do poeta T. S. Eliot: Deserto e vazio. Deserto e vazio. E as trevas à beira do abismo.

 

Sarah (a bela Olivia Wilde, em seu melhor momento da carreira) e Phil (Luke Wilson) procuram desesperadamente seu filho desaparecido. A medida que o estranho sumiço do menino aumenta com o passar dos dias, cada um precisa encontrar sua própria maneira de seguir adiante. Enquanto Phil parte para a tradicional explosão de raiva, Sarah mergulha em um caminho obscuro e perigoso à procura de desafios e experiências cada vez mais arriscadas.

 

A direção fica por conta da estreante Reed Morano, que consegue expressar o luto e o desespero sem ser apelativo e, muitas vezes, sem sequer narrar. Os grandes momentos do filme são aqueles que acontecem em silêncio, aliás, a cena final é de uma beleza e significância singular.

 

Morano consegue extrair o melhor dos seus dois atores principais, nunca Olivia Wilde e Luke Wilson se entregaram tanto em uma perfomance quanto aqui, eles realmente se comprometeram e acreditaram no projeto.

 

Dizia Freud que o luto é o processo que ocorre com o ser humano diante da perda de uma pessoa querida ou de uma abstração e, nesse estágio não convém em falar de estado patológico, porque o luto em si precisa ser vivido. Em alguns casos, todavia, a partir do luto é gerado um segundo estágio, a melancolia, essa sim considerada patológica. Se no luto o ódio direciona-se para a perda, na melancolia o ódio volta-se para o Ego, como um castigo devido por não ter tido a competência necessária para manter o bem querido. Com o Ego atingido ele não será mais capaz de executar suas atividades com integridade, culminando na depreciação contra si e a suspensão de interesse pelo mundo externo.

 

Nesse estudo honesto sobre a desesperança e a dor da perda é possível conceber paralelos, de forma axiomática, com as teorias do insigne psicanalista sobre as reações humanas diante da perda do objeto amado.