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Mommy

 

 

O jovem canadense Xavier Dolan é, unanimemente, considerado pela crítica especializada como o garoto prodígio. Ator, roterista e diretor (além de assinar em outras categorias como arte, fotografia, figurino e edição) com apenas 26 anos, Dolan é a esperança de Cannes no meio de um punhado de novos diretores semelhantes.

 

Seus filmes são excessivos e extravagantes. Conflituosos e emocionais. Por vezes tratam da homossexualidade e repudiam o conformismo. Se pecam pelo escândalo desmedido, conquistam pelo expurgo do lugar comum.

 

Fato é que, mesmo com toda a histeria exagerada, Mommy é o melhor e mais maduro trabalho do jovem cineasta - que já possui na bagagem outros quatro longas: Eu Matei Minha Mãe (2009), Amores Imaginários (2010), Laurence Anyways (2012) e Tom na Fazenda (2013). O filme conta a história de um relacionamento conturbado, por vezes trágico, entre uma mãe e seu filho.

 

A inevitabilidade do caos se sucede na convivência entre uma mãe explosiva e imatura (Diane) e um filho bipolar e atormentado (Steve). Dolan constrói com êxito e poucas ferramentas uma história assombrosa, profundamente sincera que, tanto emociona quanto incomoda.

 

Vagando pelos extremos, Mommy anatomiza a desesperança com um retrato dolorosamente pessoal. Kant acreditava que, originariamente, as escolhas do homem estavam marcadas por uma debilidade inerente e, embora não fosse literalmente herdada como um pecado original, era suficientemente persuasiva para que fosse descrita como o mal radical na natureza humana.

 

Steve é personificação do mal radical. O problema insolúvel.