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O Contador | Filme
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O Contador

 

 

Christian Wolf (Ben Affleck) sofre de autismo algo que sempre afetou o desenvolvimento e a capacidade de socialização com outras pessoas. Treinado por seu pai, desde pequeno, a sobreviver com o mundo que o rodeia, Wolf se torna um exímio contador graças a sua incrível facilidade com números.

Gavin O'Connor mescla gêneros realizando uma análise psicológica do personagem e seu meio. Pragmático, antissocial, meticuloso e letal, Wolf é uma compilação de um notável consultor financeiro de Wall Street com o soldado aposentado das Forças Armadas John Matrix em Comando para Matar (1985), aliado a frieza e habilidade técnica de John Wick (2014).

 

Todo esse exagero de habilidades é realçado gradativamente junto com a evolução do personagem em seu tratamento de choque imposto pelo pai. Sua rotina inflexível, suas ações friamente calculadas e sua percepção nos mínimos detalhes fora do comum são elencadas de forma primorosa na primeira metade irretocável do filme.

Jackson Pollock foi um expoente do expressionismo abstrato americano e personagem principal do deslocamento das vanguardas para Nova York, substituindo a arrasada Paris no pós-guerra. Pensou-se por muito tempo que sua técnica chamada de pintura com respingos fosse obra da aleatoriedade total de um artista que representava o símbolo a liberdade de expressão e o suspiro de um novo movimento de renovação estética. Porém, descobertas recentes, realizadas em Florença, apontam que Pollock tinha um plano definitivo para estruturar suas composições com uma técnica de precisão proeminente para conduzir suas pinturas nos mais diversos detalhes, inclusive nos aspectos físicos do quadro.

Wolf e Pollock, acometidos por disfunções mentais, distúrbios que atingem mais de 400 milhões de pessoas, buscaram externalizar sua arte através de processos organizados e metódicos, com o objetivo de manter o equilíbrio de suas funções cognitivas, por vezes indecifráveis para a inteligência popular. A ausência de evidência, não é evidência de ausência.

por Elmar Ernani