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O Mar de Árvores

Escorraçado por onde passou, o novo trabalho de Gus Van Sant patina em alguns momentos críticos, mas nem tudo está perdido. O diretor, que possui uma carreira errante, nunca oscilou tanto dentro de uma mesma obra, uma pena já que o assunto provocador e quilate dos atores envolvidos reforçaram uma expectativa descomunal, muito da enxurrada de críticas negativas metralhadas contra o filme deve-se a este fato.

A floresta Aokigahara, localizada aos pés do Monte Fuji, é famosa por ser a escolha de várias pessoas que decidem cometer suicídio. Arthur (Matthew McConaughey) assombrado pela morte da esposa (Naomi Watts) viaja até o Japão para tirar sua vida na misteriosa floresta. Lá encontrará Takumi Nakamura (Ken Watanable) e iniciarão um jornada de reflexão mata adentro.

Gus Van Sant não disfarça sua busca pelas questões existenciais do homem através de uma pegada espiritual com viés de auto-ajuda. Alguns constrangedores diálogos parecem enlatados da literatura fast-food que milhões consomem nos óbvios livros de Augusto Cury, outros, no entanto, fazem jus a máxima do isolamento para chegar à salvação. Aqui a salvação é pela preservação da vida por meio da absolvição da alma, é sobre como enfrentar a morte te ajuda a encontrar a vida.

 

Distantes das certezas, os corpos atormentados tornam-se um grande problema para si mesmo, visto que não conseguem conhecer a si nem sua própria realidade. Infinitamente incapaz de compreender os extremos, tanto o fim das coisas como seu princípio permanecem ocultos, e é impossível ver o nada de onde saiu e o infinito que o envolve. Gus Van Sant discorre de maneira poética a metafísica guerra entre ciência e fé, o concreto e o misterioso, o empírico e o especulativo.

por Elmar Ernani