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O Que Está Por Vir

A tranquila e quase perfeita vida da professora de filosofia Nathalie (Isabelle Huppert) é posta à prova quando descobre que seu companheiro de vinte e cinco anos de casado está lhe traindo e ainda perde o emprego. Sozinha, ela terá que investir energias para recomeçar a almejar novos objetivos na vida.

Mia Hansen-Love conduz uma das maiores atrizes de todos os tempos, Huppert, buscando o limiar entre o sentimentalismo e a leveza. Tudo é tratado com extrema naturalidade, as sucessivas reviravoltas que insistem em flagelar Nathalie não exortam o drama exagerado, muito menos menosprezadas, pelo contrário, são encaradas de frente com rara fineza e temperança.

A afirmação da normalidade em meio aos escombros é, dentro do possível, uma proclamação da vida como ela é diferentemente da ilusão pregada pela onda do marketing comportamental das redes sociais. Na vida real, ser feliz não é fundamental, óbvio que esperamos sê-lo, mas quem vive esperando a felicidade como um estado permanente de viver é um tipo de indivíduo que espera algo que nunca chega, prolongando a esperança e o charme da ilusão. É um tipo de viver que se auto sustenta, e a angústia da espera causa um certo prazer que sabota sua própria realidade.

O poder da imaginação, nesses casos, compensa, muitas vezes, a ausência e o irreal, sacrificando o efetivo, o tangível. Desfruta-se assim menos do que se obtém do que daquilo que se espera. Nathalie, calejada pelas agruras do cotidiano, compreende que a luz que havia em cada ponto de partida há muito tempo a deixou, é preferível acreditar no pulsar de suas veias do que no fogo ingênuo da paixão, já compunha Fagner.

Humanizada pelo fracasso à medida que ele tende ajustar a real medidas das coisas - o sucesso, apesar de saboroso, intenciona seu autor a aumentar exageradamente suas próprias qualidades - Nathalie dispõe do equilíbrio exato para adquirir a consciência moral de seus insucessos a melhor maneira de encontrar vida após o soterramento em uma sociedade que não perdoa fracassos porque exigem vencedores, necessitam vender auto estima e campeões descartando os efeitos colaterais.

por Elmar Ernani