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O Regresso

 

 

Fomentando sua pretensiosidade - algo tão notório quanto sua genialidade com a câmera nas mãos - Iñarritu se rende à megalomania dos homens na busca do Super-homem - Ubermensch.

 

Após vencer o Oscar ano passado com o Birdman (2014), um ousado labirinto formado milimetricamente para desassociar a arte do entreterimento, o grande mestre mexicano toca a morte com a ponta dos dedos para incitar o nascimento do instinto primitivo humano e sua capacidade de exaurir-se e resistir. O Regresso narra a história do explorador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que parte para o oeste americano em busca de dinheiro, no caminho é atacado por um uso e deixado à própria sorte por seus companheiros. Insuflado pela busca de vingança e dotado de uma predisposição à tenacidade absoluta, Glass inicia uma jornada pela honra.

 

Prisioneiro da vingança, esse poderoso oitavo pecado capital não o deixa morrer, tornando-se a força propulsora de sua obstinada sobrevivência. O memória do indivíduo que se alimenta da vingança é uma digestão que não termina, ele pensa o tempo todo no ajustamento de contas. As estações de calvário impostas por Iñarritu filmadas sob luz natural impressionam, assemelha-se a uma sequência de quadros pincelados de forma magistral, a cada frame o impacto visual funde-se com brilhantismo a uma violência estética e realista.

 

Comprometido em realizar uma obra para a eternidade, Iñarritu atinge níveis de excelência em todos os mínimos aspectos do filme. Para o feito, cercou-se de uma equipe primorosa, mas em especial de dois dos profissionais de maior prestígio da atualidade: O gênio Emmanuel Lubezki, um dos maiores diretores de fotografia de todos os tempos - vencedor do Oscar por Gravidade (2014) e Birdman (2015), além de ser um parceiro do mestre Terrence Malick em seus últimos filmes; O Novo Mundo (2005), Árvore da Vida (2011) e Amor Pleno (2012) - e o excepcional Leonardo DiCaprio, que arrebata o expectador com uma atuação dominante, sem dúvida a maior de sua carreira, e que deve enfim o consagrar com sua primeira estatueta do Oscar.

 

Extenuado pela inversão de valores que dominava sua época, Nietzsche, devoto da vontade como uma força dominadora e reveladora, dedicou-se a polir uma nova base para assentar os valores humanos. Abnegando a idéia de princípios divinos, o cirurgião das palavras desafia o indivíduo a trocar o dever pelo querer, pois apenas a vontade de poder permitirá ao indivíduo desenvolver seu potencial máximo colocando-se acima do resto, tornando-se então um Super-homem. Iñarritu identifica o super-homem no seu protagonista, aquele que através da vontade de potência ousa tornar-se o que realmente é. É assim que se afirma a vida, e se pode atingir a auto-realização.