Olive Kitteridge

 

 

O homem não é nada. Apesar dos infindáveis esforços dos pequenos indivíduos que anseiam por prerrogativas concedidas por um suposto pai divino, somos apenas um sopro passageiro, e, nossa relevância reside apenas no pequeno meio que convivemos. Um ponto intermediário entre o desconhecido e o nada. Infinitamente incapazes de compreender os extremos, tanto o fim das coisas quanto o seu princípio permanecem ocultos num segredo impenetrável, e é-lhe igualmente impossível ver o nada de onde saímos e o infinito que nos envolve.

 

Olive Kitteridge é uma minissérie de 4 episódios que narra a história, através dos olhos da protagonista, de Olive e seu marido se estendendo por 25 anos do casal na pacata cidade de New England. É um estudo pleno sobre a vida ordinária dirigido e atuado com maestria atingindo níveis de excelência poucas vezes visto. Uma jóia da TV americana.

 

Com narrativa lúgubre e natural, Olive incomoda e, ao mesmo tempo, emociona. Analisa as complexidades de viver e o peso da amargura. A dor, em si mesma, é natural para aquele que vive, concluiu um dia com a habitual destreza Schopenhauer. O ritmo é lento, não há urgência para seu desfecho. É necessário folhear pausadamente cada martírio, angústia, mágoa, arrependimento, alegria e felicidade.

 

Um confronto da natureza humana e as aflições da alma, com suas tragédias e fortunas. Olive é, acima de tudo, uma história sobre a solidão não apenas como um desfecho.

 

Cada estrada é uma construção e cada escolha impacta diretamente na estrada a ser percorrida. A ilusão deriva do desejo humano, e, ao final de tudo, somos menos especiais do que desejávamos.

por Elmar Ernani