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Os Oito Odiados

 

 

O inquieto, nerd, antissocial e, por vezes, insolente Quentin Tarantino possui uma ligação íntima com a cor vermelha, em suas pinceladas insólitas ela é a cor mais buscada em sua paleta de cores. Sua fixação por essa cor primária enseja em sangue, litros jorrados na tela. O derramamento de sangue é a base para a pintura Tarantinesca, e o seu controle estético, o auge da beleza ideativa.

 

Claro que reduzir um cinema tão complexo quanto o de Tarantino à presença da tonalidade vermelha seria desmerecerer obras amplamente cultuadas, que transcenderam os limites da cinematografia. Tarantino é adepto do cinema desbocado, com diálogos sarcásticos e desvairados, mestre do humor negro que sabe como ninguém desconfortar sua platéia com situações incivilizadas e textos sórdidos. Violência e vingança permeiam suas obras, o exagero é sua marca registrada.

 

Em seu oitavo filme (o décimo será sua derradeira obra, como ele costuma sempre afirmar) Tarantino retorna ao faroeste três anos após o mediano Django (2012). Se em Django, Tarantino peca ao criar uma comédia assumida desvirtuando do verdadeiro sentido de seu cinema irônico e debochado que flerta com o humor, aqui, ele novamente acerta os ponteiros reencontrando-se com sua velha forma. Durante uma nevasca, o carrasco John Ruth (Kurt Russell) transporta uma prisioneira, Daisy Domergue, (Jennifer Jason Leight) pelas paisagens geladas do Wyoming. No caminho eles encontram dois desconhecidos: um ex-soldado (Samuel L. Jackson) e um recém xerife (o sensacional Walton Goggins). Com as condições climáticas desfavoráveis, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde estão abrigados outros quatro desconhecidos. Agora os oito odiados estarão presos levando a um inevitável confronto entre eles.

 

Com um elenco multifacetado, câmera ágil e trilha sonora triunfante, Os Oito Odiados é uma obra linear do velho estilo tarantinesco, mesmo com o sentimento de déjà vu que percorre mais da metade do filme, em muitos momentos o filme assemelha-se demais à Cães de Aluguel (1992) - melhor filme do diretor juntamente com Pulp Fiction (1994). A megalomania aflige Tarantino a cada filme lançado, dessa vez ela vem em dose dupla, tanto na duração exagerada do filme quanto no uso excessivo de palavras rebuscasdas, o que de fato não atrapalha a grande experiência que é assistí-lo, mas nos faz pensar aonde o diretor chegará com o décimo filme.

 

Assistir Tarantino é como observar os quadros de Henri Matisse. O prestigiado fauvista que já foi considerado como uma besta selvagem buscava a máxima expressão pictórica através da exposição enérgica de cores. Obras como Harmonia em Vermelho (1908) e O Ateliê Vermelho (1911) são uma imposição do vermelho sobre a realidade. Matisse dizia que o impressionismo era o jornal da alma, Tarantino utiliza sua alma para filmar.