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Pequenos Delitos

Se o que define um indivíduo são suas ações e a moralidade enquanto princípio que norteia a ação, então a lei moral individual guia a faculdade de raciocinar não só os meios, mas também os fins e a própria essência do ser.

Evan Katz adapta (juntamente com Macon Blair) e dirige o ator dinamarquês sensação do ano, Nikolaj Coster-Waldau, em seu segundo longa. A história acompanha Joe Denton (Nikolaj), um ex-policial desonrado, que acaba de sair da prisão após cumprir uma pena de seis anos por tentativa de homicídio. À medida que tenta colocar em prática seus planos de redenção, perceberá que a vida pouco se importa com seu planejamento e que o passado não releva.

Para Kant, a condição da existência da moralidade é o sujeito que age segundo certas máximas com a finalidade de atingir determinados fins. Para ele, as faculdades se concretizarão em três postulados: existência de um sujeito moral; ele é dotado de vontade e razão e é capaz de legislar para o mundo da sociedade. É necessário haver o indivíduo e a coletividade. Sem o sujeito a moralidade não existe; sem a sociedade, ela não é necessária.

Da razão bifurca-se dois conceitos: a prática e a teórica. A razão teórica reconhece um mundo determinado - a natureza - enquanto a razão prática age no mundo do fazer - a sociedade. Cidadão dos dois mundos, o natural e o social, o homem precisa defender-se no primeiro e afirmar-se no segundo.

 

É o que Denton está disposto a fazer a partir do momento em que deixa para trás seus dias de confinamento. No entanto, suas afirmações equivocadas associadas a casualidade infeliz promoverão uma tragédia grega incontrolável. Perdido no sentimento de orfandade, Denton perceberá que o universo não é um útero, mas sim um deserto.

por Elmar Ernani