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Sangue Azul

Em uma ilha paradisíaca, o circo Netuno se estabelece para uma série de exibições. Sua estrela, Zolah (Daniel Oliveira), o homem bala, conhece muito bem o local, lá ele foi criado até o dia em que sua mãe o mandou para longe temendo a íntima relação entre ele e Raquel (Caroline Abras), sua irmã. De volta à terra natal, Zolah confrontará o presente para resolver as questões do passado que tanto o atormentam.

O diretor Lírio Ferreira, em sua melhor forma, divaga, de forma poética, sobre as dores da tentação e o ímpeto que arremessa o indivíduo para o ato moralmente condenável de acordo com as regras éticas de seus semelhantes. A partir da imediata censura sua transgressão torna-se um exercício de violência, um martírio deflagrado.

Nas vulcânicas ilhas de Fernando de Noronha, o surrealismo mistura-se ao fantasioso deslumbramento do circo e seus respectivos atos revelando os mais sombrios segredos que perpetuaram, desde sempre, como um ilusionismo de fachada. Nas areias remotas e silenciosas banhadas pela imensidão do mar, dois irmãos buscam o sentido das coisas divididos entre as alterações de seus sistemas límbico, o mecanismo biológico responsável pelas emoções, e o dever da moralidade, a lei e os costumes que regem a sociabilização.

A quebra do mito esbarra-se nas barreiras controladoras impostas pela sociedade aos impulsos primitivos do homem, defendendo-se assim da anomia, do enfraquecimento das normas. Zolah, como os perseguidos pelas Cruzadas ao final do século XI, está entre a cruz e a espada, o não dito e o dizer, a repressão e a rebelião, a lei e o impulso. Os gases de enxofre de alto teor tóxico pairam no ar, a pequena ilha está prestes a ter sua própria erupção.