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Segunda Chance

 

 

A diretora dinamarquesa Susanne Bier depois de mais uma incursão frustrada pelo cinema americano com o desnecessário Serena, retorna ao seu cinema autêntico e realista, já distante do Movimento Dogma 95 que a lançou, porém dilacerante e orgânico como nos melhores tempos. Neste drama triunfante, Bier conta a história de um policial que decide sequestrar um bebê por contra própria após indignar-se pelo tratamento desumano dado à criança pelos pais viciados.

 

Bier tem atração por situações delicadas que envolvam questões morais. Expor seus personagens ao conflito extremo com mãos pesadas sempre tendendo ao pior caminho possível faz parte da sua arte. O caos é seu habitat, e a desordem sua consequência lógica.

 

Entre o belo e o perturbador Bier dilacera o espectador colocando seres humanos à prova, no limite da loucura à busca por redenção. A diretora busca a reflexão através do intragável. Para ela, é necessária que a digestão seja árdua para que seu produto seja valorizado.

 

Não há entreterimento ou alívio, ao embarcar no poderoso cinema de Susanne Bier é necessário ter ciência que a diretora acredita, assim como Erich Fromm, que o homem é o único animal cuja existência é um problema.