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Sicário

 

 

Realizado pelo canadense Denis Villeneuve, um dos mais promissores diretores da atualidade, autor da Obra Prima Incêndios (2010) - uma tragédia grega montado sob a forma de um quebra-cabeça para falar sobre a desesperança - , e do assombroso Os Suspeitos (2013).

 

Villeneuve fecha sua trilogia sobre as marcas da violência construindo um, novo, suspense asfixiante com a maestria que lhe é comum. No longa, em um território aonde a lei não alcança, Kate (Emily Blunt), agente do FBI, terá que questionar sua moral e seus princípios para fazer valer a força em detrimento da verdade.

 

Com uma fotografia de primeiro nível e uma trilha sonora atormentadora, Sicário nos brinda com uma atmosfera poderosamente incômoda. O trio de ferro - Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro - está irretocável, mas é Del Toro que rouba o filme do início ao fim. Um papel do tamanho do talento do ator Porto-riquenho. Formidável.

 

Há um acúmulo de tensão criada na ambientação que nos remete à obras flamencas dos excepcionais duplistas Lole y Manuel. É gerada uma inquietude logo no início da trama, que aumenta com o passar do tempo, provocando nervosismo e ansiedade, no receptor, pelo que está por vir.

 

Ninguém fica imune à Sicário, assim como o Flamenco, ele te toca no nervo.

 

Ao medir a desordem das partículas em um sistema ímprobo, o desespero de confrontar a insociabilidade do Homem Hobbesiano é o início do declínio do Homo sapiens perante o Lobo. Eles são os únicos aptos a sobreviver em tal território.

 

Para Villeneuve a resposta para a procura da ordem no caos é o silêncio.