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Sing Street

O irlandês John Carney é um entusiasta dos diversos planos sensoriais que a música proporciona ao seu ouvinte. Seus grandes momentos no cinema foram as realizações que mesclaram as sensações da sétima arte com a musicalidade, dentre eles, a obra prima Apenas Uma Vez (2007) e o excelente Mesmo Se Nada Der Certo (2014). Sempre mesclando nostalgia, folk-songs e tipos perdidos, Carney faz um paralelo entre o gosto amargo das desilusões da vida e a sinestesia do amor.

A trama se passa em Dublin, meados dos anos 80. Um adolescente recém chegado ao novo colégio se apaixona por uma garota mais velha e, para se aproximar dela, a convida para participar do inédito clipe de sua banda. O grande problema desse convite é que ele não possui banda alguma, logo terá de correr contra o tempo para formar um grupo musical de verdade.

Irretocável, Sing Street é o suspiro de uma fórmula cinematográfica em extinção, com pegadas oitentista e sentimentos pueris em processo de amadurecimento, é também o sopro do velho e bom rock n' roll rebelde esquecido no tsunami de músicas ruins, bandas fakes e comportamentos pré-programados. Nas pegadas de David Bowie, The Cure, Sex Pistols, Duran Duran entre outros, o roteiro é um espetáculo a parte com profusas referências e inspirados diálogos que variam, de forma sutil, da gozação ao divertimento.

Tomando de assalto o poema de Oswaldo Montenegro com a cumplicidade da filosofia espontânea de Carney, seus feel good movies procuram na arte a resposta descomplicada, pois é preciso simplicidade para fazê-la florescer, para os mistérios dessa vida. Porque metade dos seus filmes é amor, a outra metade é canção.

por Elmar Ernani