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Steve Jobs

Picasso foi um dos mais inventivos pintores que se tem notícia, e o responsável direto pela demolição da ditadura da arte representativa, abrindo as portas para o abstracionismo. Suas qualidades inovadoras devem-se à sua forma singular de olhar para a realidade de maneiras distintas do convencional. Pablo Picasso é a alegoria justa para Steve Jobs: dois artistas que romperam com os paradigmas de sua época.

Danny Boyle adapta seu primeiro drama bibliográfico levando a vida de Steve Jobs para a grande tela. A enorme sacada dos roteiristas nessa composição é a fuga da obviedade, que ao deixar de lado a cronologia biológica, algo habitual nessas produções, analisa recortes pontuais que ajudam a esboçar um entendimento de um ícone complexo e genial. O filme compreende três momentos elementares na vida de Jobs: o lançamento do Macintosh em 1984, da empresa NeXT em 1996 e do iPod em 2001.

Boyle seleciona de forma categórica as peças-chave que farão toda a diferença: Michael Fassbender e Kate Winslet encontram-se no Olimpo dos grandes intérpretes, vê-los atuarem lado a lado é um privilégio para qualquer geração de entusiastas da sétima arte. É contagiante observar uma câmera tão rápida e ágil direcionada em curtos espaços embalada em uma trilha sonora de diálogos e disputas verbais soberbas.

Picasso, certa vez, proferiu que bons artistas copiam, grandes artistas roubam. Jobs levou essa máxima consigo a vida inteira. Ambos roubaram ideias e as modificaram de tal forma que construíram experiências inéditas e radicais. A famosa pintura de Picasso, As Jovens Damas de Avignon (1907), e o Macintosh de Jobs são exemplos de criações, vistas em seu produto final, totalmente novas, porém concebidas a partir do roubo de ideias.

Jobs e suas influências representaram uma cisão com o status quo, seu fascínio pela arte resultou em uma combinação única com a tecnologia, revolucionando o precioso campo dos computadores. Sua criatividade formidável é resultado de uma mente aberta, que experimentou o mundo e aplicou diretamente variadas metodologias para melhorar o que tinha de ser feito.

O neurocientista Stephen Kosslyn, mostrou que a imaginação - a capacidade de visualizar mentalmente o que não está acessível aos olhos ou outros sentidos - usa as mesmas partes do cérebro que recebem informações dos sentidos, e que o processo criativo faz com que o cérebro use a si mesmo de outra maneira descobrindo um caminho alternativo. Cada uma dessas funções depende de experiências reais com o mundo. Criatividade é bombear o cérebro com novas experiências.