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Terra de Minas

Hitler, dono da maior retórica de todos os tempos, sempre se imaginou nas páginas da história, e sempre estará, não da forma que imaginara, mas seja qual for o livro que disserte sobre o percurso da humanidade sua presença é obrigatória. Seu nome, por muito tempo proibido, ganhou projeção em quase todos os meios artísticos. No cinema, são produzidos, anualmente, incontáveis filmes de todas as nacionalidade possíveis sobre o Terceiro Reich ou suas consequências.

Incrível imaginar que após tantas décadas ainda nos deparamos com histórias ou pontos de vistas inéditos sobre um dos períodos mais sombrios da raça humana. O dinamarquês Martin Zandvliet escreve e dirige um dos indicados ao Oscar de Melhor Filmes Estrangeiro. Terra de Minas é uma ferida aberta no coração do País nórdico que, para se vingar do que os alemães os impuseram durante a Segunda Guerra Mundial, colocaram os alemães para desativar as minas terrestres de seu território.

Os nazistas que pensaram que a invasão dos aliados se daria por lá prepararam o local inundando o litoral da Dinamarca com mais de um milhão de minas. Olho por olho, dente por dente e ao final da guerra os alemães, inclusive crianças, foram escalados para removê-las, uma a uma, com suas próprias mãos. Paga-se horror com horror.

Usando a lei escrita mais antiga da história da humanidade - A Lei de Talião - para bancar seu revanchismo, Zandvliet expõe a rigorosa reciprocidade do crime e da pena sem separar heróis e vilões. Nesse Código de Hamurábi moderno, Gandhi seria um eco sem voz, mudo e frustrado perceberia que os poucos esforços empreendidos ao longo do tempo para criar uma sociedade benévola falharam miseravelmente, o homem entregue a sua substância animal dispensa a moral assim que a primeira fresta é localizada.

Na busca do acerto de contas, existe a necessidade íntima de se atentar na relação de equilíbrio entre crime e punição, na exata medida entre negação e a restituição da justiça. Pelo olhar daquele que recebe o primeiro golpe, o crime é um mal, em consequência, a dissolução do crime é um tipo de bem, desse modo a questão de justiça e injustiça seria substituída pelo bem e o mal. O Antigo Testamento, um dos livros mais sangrentos já redigidos, utiliza-se desse mesmo código para perpetuar torturas e posturas agressivas, já no Novo Testamento é usado para prolongar atitudes passivas. Tudo, na verdade, é uma questão de ponto de vista.

por Elmar Ernani