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The Lobster

 

 

Yorgos Lanthimos desenvolveu sua arte de filmar nas sombras. Com um estilo pouco convencional e seu gosto acentuado pelo surrealismo Yorgos reafirma o poder do cinema experimental. Entrou para o olho do furação com Dente Canino (2009), mas é em The Lobster (seu quinto filme) - recém saído da Grécia por conta do caos econômico que atinge o País, esse é o seu primeiro filme rodado no estrangeiro - que realiza seu primeiro filme memorável.

 

Nessa história de amor absurda e inusitada passada em um futuro distópico, é proibido por lei ser solteiro. Qualquer homem ou mulher que não estiver em um relacionamento é preso e enviado a um hotel onde terá 45 dias para encontrar um parceiro. Caso não encontre, será transformado em um animal de sua preferência e soltos no meio da floresta.

 

Analisando, de forma áspera, os relacionamentos humanos, Yorgos cria essa obra prima da originalidade premiada no Festival de Cannes. Colin Farrell tem, possivelmente, a atuação de sua vida em um ano gigantesco que conta também com uma atuação arrebatadora na série True Detective.

 

Incrível a perspicácia do diretor (que também assina o roteiro) que se utiliza de uma premissa desconcertante e kafkiana, como um tipo de realidade paralela e inimiginável, para criticar o mundo moderno, com seus integrantes aterrorizados pela idéia da solidão e, incrivelmente, cada vez mais sozinhos, buscando incessantemente o preenchimento prematuro. A necessidade de não estar só é mais importante do que encontrar-se bem acompanhado.

 

Com uma visão do cotidiano beirando o movimento expressionista, Yorgos Lanthimos concebe uma atitude cinematográfica peculiar que se afasta de quaisquer comparações com outros cineastas. Um dos precursores do expressionismo alemão foi o extraordinário Edvard Munch, que fez de sua obra prima o grito de desespero que caracteriza essa corrente perante um pesadelo interminável - O Grito (1893). Munch e Yorgos desafiam o senso comum revelando as tendências psicológicas da mentalidade coletiva ao voltar suas obras para o lado sombrio da alma humana, aquilo que é irracional e enigmático.

 

O mestre do nonsense busca na mecanicidade dos seres a coerência da insensatez, - a compreensão das alternativas que permitem ao indivíduo, inserido na massa, desvencilhar-se dos empecilhos que impedem a expressão de seus impulsos - no seu filme mais paradoxal e um dos máximos expoentes da criatividade dos últimos anos.